“Dê-me os seus cansados, os seus pobres, suas massas amontoadas ansiando por respirar em liberdade.” Gravada na base da Estátua da Liberdade, essa frase sintetiza a identidade histórica dos Estados Unidos como uma nação formada por imigrantes.
A imigração está no centro da formação econômica, social e institucional do país. E isso desde os peregrinos puritanos que chegaram ao continente no século XVII, fugindo da perseguição religiosa.
Eles trouxeram consigo não apenas a língua inglesa, mas também o sistema jurídico do common law, a ética de trabalho e as instituições que sustentaram o desenvolvimento econômico.
Sem contar os holandeses responsáveis pela fundação de Nova Amsterdã (atual Nova York) e pela introdução de um espírito mercantil e cosmopolita que acabaria moldando também de alguma forma a identidade americana.
Essa mesma imigração, no entanto, é hoje alvo de questionamentos e restrições crescentes. Mas, atualmente, os EUA enfrentam um dilema importante: a taxa de fertilidade está abaixo do nível de reposição.
Isso implica que, para sustentar o crescimento populacional e, por extensão, a expansão da força de trabalho, a economia americana segue dependente da entrada de imigrantes, especialmente em um contexto de envelhecimento demográfico e menor crescimento natural da população nativa.
O gráfico abaixo ilustra a taxa média anual de crescimento da força de trabalho total em diferentes períodos históricos, definidos a partir dos picos dos ciclos econômicos para reduzir distorções de curto prazo.
Os dados evidenciam uma desaceleração estrutural ao longo das últimas décadas.

Segundo Josh Bivens, economista-chefe do Economic Policy Institute (EPI), a desaceleração é ainda mais intensa entre os nascidos nos EUA, evidenciando o papel central da imigração na dinâmica da força de trabalho.
O EPI é um centro de pesquisa independente e amplamente citado em estudos sobre mercado de trabalho, produtividade e dinâmica salarial nos EUA.
No mesmo relatório do EPI, utilizando estimativas do Congressional Budget Office (CBO), Josh Bivens projeta a evolução da população em idade economicamente ativa (20-64 anos) sob diferentes cenários de imigração: imigração mantida, imigração reduzida pela metade e imigração líquida zero.

O que se vê, ainda segundo Bivens, é que um cenário sem imigração líquida resultaria em encolhimento contínuo da população em idade ativa já ao longo da próxima década.
Embora a diminuição da população, por si só, não signifique necessariamente queda na qualidade de vida ou no PIB per capita, existem diversas razões para que um país busque ampliar sua população em idade ativa.
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Uma delas é que, quando aumenta a proporção de pessoas fora do mercado de trabalho em relação às que estão empregadas, torna-se mais difícil sustentar programas de seguridade social, como aposentadorias e assistência à saúde para a população mais idosa.
Além disso, assim como outros países desenvolvidos, os EUA apresentam hoje uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição.
Segundo o National Center for Health Statistics, principal fonte oficial de dados sobre saúde, mortalidade, natalidade e demografia americanas, essa taxa está em torno de 1,6 filho por mulher, bem abaixo dos 2,1 necessários para estabilizar a população, o que indica que, sem imigração, o país tende a encolher demograficamente ao longo do tempo.
Não sabemos qual será exatamente o impacto econômico de uma redução da imigração.
Sob uma ótica estritamente técnica, deixando de lado os demais impactos sociais, talvez a evolução da inteligência artificial e os ganhos de produtividade decorrentes desse avanço possam compensar uma eventual queda na força de trabalho, mas isso, definitivamente, só o tempo será capaz de dizer.





