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Selic: Copom decide manter a taxa em 13,75% em decisão dividida

Selic: Copom decide manter a taxa em 13,75% em decisão dividida

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

21 Set 2022 às 18:46 · Última atualização: 21 Set 2022 · 8 min leitura

Matheus Gagliano

21 Set 2022 às 18:46 · 8 min leitura
Última atualização: 21 Set 2022

Taxa Selic de setembro

Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (21) manter a taxa Selic de setembro em 13,75%, em linha com o esperado pelo mercado. Assim, a autoridade monetária interrompe o ciclo de alta que vem desde o começo do ano passado, mas deixou em aberto a possibilidade de novos aumentos caso a inflação não recue conforme o desejado. A decisão não foi unânime: foram 7 votos a favor de manutenção e 2 favoráveis a uma elevação de 0,25 ponto.

Na terça-feira (27) sai a ata desta reunião, que trará mais informações sobre as estratégias de política monetária. Ainda restam mais duas reuniões para o ano: 25 e 26 de outubro; e 6 e 7 de dezembro.

De acordo com o comunicado do colegiado, a decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2023 e, em grau menor, o de 2024. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O grupo informou que se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação.

“O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, diz trecho do comunicado do Copom. E salienta ainda que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.

Taxa Selic de setembro: Copom ainda vê cenários de riscos

O comitê entendeu ainda que, em seus cenários para a inflação, permanecem vários fatores de risco. Entre os problema que ainda podem gerar uma alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; (a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos; e um hiato do produto mais estreito que o utilizado atualmente pelo comitê em seu cenário de referência, em particular no mercado de trabalho.

Já entre os riscos de baixa, ressaltam-se uma queda adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local; uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e a manutenção dos cortes de impostos projetados para serem revertidos em 2023.

“O Comitê avalia que a conjuntura, ainda particularmente incerta e volátil, requer serenidade na avaliação dos riscos”, avaliou o Copom.

Selic: BTG (BPAC11) já previa fim do ciclo de alta

O banco BTG Pactual (BPAC11) já previa que o Copom caminhada na direção da manutenção da taxa Selic, interrompendo o ciclo de alta na taxa de juros. Segundo o banco, do último encontro do Copom, realizado em 3 de agosto, para cá, os bancos centrais têm adotado discursos mais hawkish a fim de reprecificar os juros futuros até então otimistas ao longo de 2023.

Este fato pode ter ajudado o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o Diretor de Política Monetária, Bruno Serra, também a se expressarem nesta direção.

No Brasil, dados de atividade continuam robustos no setor de serviços e emprego, refletindo no IBC-Br de julho bem acima das expectativas (+1,17% vs +0,4% esperado). Logo, é esperado que o BC traga a luz o debate sobre o hiato do produto, fundamentais para a formação de premissas de inflação prospectiva e, portanto, nível adequado de taxas de juros para controle das expectativas dentro das metas de inflação.

Para o banco, este fator tende a ganhar mais destaque, uma vez que as incertezas políticas e, portanto, fiscais, devem permanecer nos mesmos níveis nas próximas reuniões do Copom.

Como a taxa Selic pode impactar os investimentos?

A taxa Selic afeta diretamente a rentabilidade de diversos investimentos. É por isso que entender o que é Selic ajuda o investidor a se tornar mais próspero em suas aplicações. A partir desse conhecimento, é possível rebalancear os ativos para aproveitar as melhores oportunidades.

Assim, o rendimento da carteira pode se tornar ainda maior com o passar do tempo, resultando em um patrimônio elevado. Saiba quais são principais influências da taxa Selic nos diferentes mercados:

Selic e a Renda fixa

Se você pretende investir em renda fixa, é fundamental acompanhar as variações da Selic para melhor identificar quais aplicações são mais adequadas às suas metas de rentabilidade.

Os papéis da renda fixa são aqueles impactados mais rapidamente pelas alterações na taxa Selic. Isso ocorre porque vários títulos são indexados à taxa.

Dentre eles estão investimentos como títulos públicos, poupança e títulos privados.

Tesouro Selic

Um exemplo é o próprio Tesouro Selic, que rende o valor da taxa acrescido de um pequeno percentual, a depender do vencimento do papel.

CDBs e LCAs

CDBs, LCAs e certificados de recebíveis são outros exemplos. Todos os títulos pós-fixados acompanham o patamar da Selic em seus rendimentos.

Selic e a Renda variável

A renda variável é impactada de forma mais indireta pelas alterações da taxa Selic. Se a taxa for elevada, pode fazer com que investimentos migrem para a renda fixa, por conta de maiores rendimentos sem alto risco atrelado.

Já quando a Selic está muito baixa, ela acaba forçando esses investidores a tomarem risco na bolsa de valores, por exemplo, em busca de maiores retornos.

Isso faz a renda variável ganhar mais corpo, elevando o preço de seus ativos.

Selic e os Fundos Imobiliários

A Selic também impacta nos Fundos Imobiliários (FIIs).

Em um cenário de escalada da Selic, os FIIs acabam competindo diretamente com a renda fixa, que passa a atrair o capital dos investidores, que buscam maiores rentabilidades, sem a oscilação típica da renda variável.

Tá, e aí?Stephan Kautz, economista chefe da EQI Asset

Stephan Kautz, economista chefe da EQI Asset, avalia que a decisão do Copom veio em linha com o esperado pelo mercado, mas salientou que o comunicado cita um “hiato de produto de mercado”, o que significa que a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser revista para cima. E avalia que o primeiro corte nos juros só deve ocorrer em junho do ano que vem.

A surpresa ficou por conta da decisão dividida do Copom, onde dois membros votaram pelo aumento residual de 0,25 ponto. Mas Kautz considera que há uma larga maioria formada pela estabilidade dos juros.

“Olhando as projeções, eles trouxeram uma expectativa de 5,8% para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano, um pouco abaixo do que esperávamos, mas incorporando os preços administrados mais baixos”, disse.

Kautz explicou ainda que o mercado deverá conviver com uma taxa elevada por um bom tempo. Ele explicou que o comitê, em tom hawkish, deverá manter a taxa elevada, mas pronta para retomar o ciclo de alta se o efeito contra a inflação não for considerado suficiente.

“Então, mantém-se um discurso bem afastado da flexibilidade na taxa em curto prazo, em linha com o que nós esperamos”, completou.

Quer saber mais sobre a Taxa Selic de setembro e como investir melhor? Preencha o cadastro que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato.

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