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Ambev precisa de uma “narrativa estrutural de longo prazo”

Ambev precisa de uma “narrativa estrutural de longo prazo”

A Ambev deixou de ser uma exceção para se tornar uma boa empresa dentro da média global

Três alavancas. É assim que os analistas Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Bruno Henriques, do BTG Pactual, resumem o desafio da Ambev (ABEV3) para reconquistar a confiança dos investidores.

Na visão do banco, “o potencial de alta depende de três alavancas avançando em conjunto: precificação real sustentável sem nova perda de participação, revitalização de marcas que se converta em disposição a pagar e uma narrativa de payout mais forte apoiada por posição líquida de caixa para elevar o yield além de cerca de 7%.”

Enquanto as três não avançarem simultaneamente, a recomendação do BTG permanece Neutra.

A história por trás dessa exigência é longa.

Entre 2015 e 2019, a Ambev atravessou uma década difícil: a participação de mercado encolheu de cerca de 62% para aproximadamente 54%, as margens EBITDA — que já chegaram a 40% — foram comprimidas, e o ROIC despencou de 38% para 22%.

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A empresa que um dia dominou o mercado brasileiro de cervejas com folga viu suas vantagens competitivas históricas murcharem diante de um consumidor mais exigente, de um mercado cada vez mais premium e de um portfólio fragmentado que reduziu a elasticidade da demanda a seu favor.

Caminho da recuperação

Desde 2020, a Ambev promoveu uma recuperação relevante. A participação de mercado foi reconstruída, as margens se estabilizaram e o ROIC voltou para a faixa de 30% a 31%. Ainda assim, o patamar atual está aquém do passado glorioso.

“A companhia, que antes operava com até 40% de margem EBITDA e ROIC na faixa de meados a altos 30%, hoje se aproxima da economia global de cervejarias, com margens no alto de 20% a 30% baixos”, apontam os analistas em um relatório distribuído a clientes nesta quarta-feira (4).

Em outras palavras: a Ambev deixou de ser uma exceção para se tornar uma boa empresa dentro da média global — o que, para quem conhece sua história, soa como um rebaixamento de status.

As melhorias operacionais são reconhecidas pelo BTG: escala digital, disciplina nos custos de vendas, gerais e administrativos e resiliência do EBITDA compõem um quadro mais saudável do que o do vale entre 2015 e 2019. Mas não são suficientes para mudar a recomendação.

“A valorização está condicionada a uma narrativa estrutural de longo prazo e a um caminho crível para retornar a um ROIC acima de 33% a 35%”, concluem Duarte, Guttilla e Henriques.

Até lá, a Ambev segue sendo uma empresa em transição — estável, mas ainda distante do nível que justificaria um re-rating expressivo.