Renda Fixa
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Certificados de recebíveis: o que são estes títulos de renda fixa? | EuQueroInvestir

Certificados de recebíveis: o que são estes títulos de renda fixa? | EuQueroInvestir

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

10 Mai 2022 às 10:08 · Última atualização: 10 Mai 2022 · 13 min leitura

Matheus Gagliano

10 Mai 2022 às 10:08 · 13 min leitura
Última atualização: 10 Mai 2022

certificados de recebíveis

Reprodução/Pixabay

Entre as centenas de opções de investimentos existentes, você já deve ter ouvido falar nos Certificados de Recebíveis. Esses títulos de renda fixa são consideradas boas opções de investimentos. Eles são vinculados ao mercado imobiliário, como é o caso dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), ou ao agronegócio, como é o caso dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Ambos os papéis são apoiados no desempenho do mercado imobiliário – muito em semelhança do que ocorre com os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) – ou atrelado ao mercado do agronegócio. A função destes dois papéis é ajudar as empresas a custear projetos nesses dois segmentos econômicos.

Existem algumas vantagens para o investimento em certificados de recebíveis. Mas é importante notar que se tratam de investimentos cujos vencimentos ocorrem a partir de três anos, ou seja, são de longo prazo para resgate.

Outro ponto a ser levado em conta é que eles costumam ser voltados mais especificamente para os chamados investidores com perfis moderados – aqueles que gostam de alguma segurança, mas que estão dispostos a correr um riscos a mais em troca de uma rentabilidade mais acentuada.

Entre as vantagens destacadas estão:

– Previsibilidade: a rentabilidade pode ser melhor mensurada por ser justamente um título de renda fixa;

– Tributação: em certificados de recebíveis não há cobrança de impostos;

– Recebimentos periódicos: quem adquire um título de certificados de receíveis, tem a possibilidade de auferir recebimentos periódicos, de acordo com o tipo de título contratado.

O que é um CRI e um CRA?

Para entender as diferenças entre um e outro, vamos por partes. O CRI costuma chamar bastante a atenção do mercado porque duas características o tornam atraentes: a segurança e rentabilidade.

Os papéis são utilizados por empresas do ramo de imóveis para captar recursos e realizar investimentos visando sua expansão. Outro aspecto importante dos CRIs é ser preciso a intermediação de uma instituição chamada securitizadora em seu processo de emissão.

Assim, ainda que a emissão seja de empresas do ramo imobiliário, quem faz o processo operacional de emissão deve ser uma securitizadora. Trata-se de uma instituição não financeira com finalidade de comercialização dos papéis. O que ocorre, na prática, é uma espécie de antecipação de recebíveis. Ou seja: grandes corporações com contratos de longo prazo agregam seu recebimento futuro e trazem valor presente.

Após isto, definem uma securitizadora para fazer a distribuição dos papéis no mercado de capitais. Isso significa que quem compra um CRI está aportando investimento com uma promessa de retorno do capital investido no futuro acrescido de juros.

A diferença com relação ao CRA é que, enquanto os primeiros certificados de recebíveis são destinados a projetos do mercado imobiliário, tais como novo empreendimentos, compra de terrenos, e outros relacionados ao setor, o CRA é vinculado ao agronegócio, então os recursos obtidos com a venda dos CRAs são destinados ao pagamento de projetos de compra de maquinário com vistas a ampliar a produção, equipamentos relacionados ao funcionamento de fazendas, entre outros.

Como ocorre a estruturação no CRI?

Conforme dito, um CRI ou um CRA é uma espécie de antecipação de recebíveis. Essa sistemática pode ser aplicada a diversos tipos de operações, como contratos de aluguéis, venda de terrenos em loteamentos ou a construção de um edifício, no caso do CRI.

O proprietário de um condomínio de imóveis, como um shopping, por exemplo, pode ter o objetivo de ampliar a estrutura do local, ou mesmo investir em outro empreendimento imobiliário.

No caso de não possuir recursos em caixa para bancar a operação, e na dificuldade em obter empréstimos junto aos bancos, uma das alternativas ao empréstimo bancário pode ser a emissão de CRIs sobre os recebimentos futuros.

Portanto, é buscado o apoio de uma securitizadora, que é a instituição habilitada a fazer esse tipo de operação no mercado financeiro. Primeiramente, os ativos são analisados, bem como a garantia de recebimento do fluxo futuro, ou seja: o grau de risco associado à transação. Após isso, uma taxa é atribuída ao papel, caso o processo de análise conclua ser possível o negócio.

O emissor dos títulos recebe o fluxo financeiro que seria adquirido somente no futuro por meio dos recursos aplicados pelos investidores.

Ao adquirir um CRI, o investidor recebe uma remuneração de acordo com o pagamento dos inquilinos do shopping (considerando esse exemplo). Mas não no momento exato do pagamento do aluguel. O valor então é remetido para uma conta chamada conta escrow que recebe um percentual a mais chamado de sobre colateral.

Trata-se um valor a mais que pode ser utilizado para garantir a rentabilidade aos investidores ao final do período contratado caso a inadimplência aumente e o fluxo financeiro não seja o esperado quando do início da operação.

Como ocorre a estruturação no CRA?

Como dito anteriormente, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio são um título do mercado de renda fixa com origem no crédito privado. Significa dizer que os emissores desses papéis são companhias da iniciativa privada que atuam no agronegócio.

Na prática, o título é lançado junto ao mercado de capitais com o objetivo de captar recursos com vistas à ampliação da produção e lucratividade das empresas ligadas ao agronegócio.

Com isso, todo recurso obtido por meio de sua emissão deve ser empregado, de forma obrigatória, em atividades ligadas ao agronegócio.

Para que o um Certificados de Recebíveis do Agronegócio seja lançado, um título é emitido por uma organização que atua no agronegócio. Ocorre quase sempre quando a empresa em questão leva adiante um planejamento estratégico que requer uma expansão de sua atividade.

Diante desse cenário é preciso fazer investimento e só existem duas formas disso acontecer. A primeira é por meio de recursos próprios, usando dinheiro em caixa, ou ainda utilizando algum mecanismo de financiamento, como um empréstimo bancário.

Além do empréstimo bancário, o CRA é uma outra forma de obtenção de financiamento existente no mercado de capitais.

Como isso acontece? A empresa interessada no levantamento de recursos faz a emissão do título antecipando um fluxo financeiro que só aconteceria no futuro.

Trata-se de uma operação semelhante à que o varejista faz quando antecipa os valores a receber das vendas feitas no cartão de crédito. Porém, não é possível fazer todo esse procedimento diretamente com os investidores no mercado financeiro. Para isso, é preciso que entre em cena, pelo menos, dois entes do Sistema Financeiro Nacional.

O primeiro deles é a já comentada securitizadora, agente responsável por “empacotar”, por assim dizer, os recebíveis futuros em um título que possa ser negociado no mercado, neste caso na forma de um CRA.

Porém, a securitizadora não pode ir diretamente ao mercado fazer a comercialização dos títulos. Esse é o papel do segundo participante da operação: os distribuidores de títulos. Neste grupo entram os bancos e as corretoras de valores.

Este segundo grupo recebe os títulos emitidos pela securitizadora e faz sua distribuição no mercado de capitais. Daí, os investidores interessados em fazer a aquisição de um título deste, procuram os bancos ou corretoras para fazer a compra do CRA que lhe interesse.

Desta forma, o ciclo está completo: os investidores em geral podem adquirir esse CRA que tem rentabilidade e prazo de liquidação já expressa em sua denominação.

Como investir em Certificados de Recebíveis?

Para saber como investir em certificados de recebíveis, vamos a um exemplo hipotético do mercado imobiliário. Vamos considerar que uma empresa imobiliária, como uma construtora por exemplo, tenha construído um prédio de 20 andares com um total de 40 apartamentos.

Vamos supor em nosso exemplo que a construtora em questão tenha comercializado todas as unidades habitacionais ao valor de R$ 1 milhão cada, cujos valores tenham sido financiados.

Nesse exemplo, vamos considerar um prazo médio de 60 meses nos financiamentos à taxa de IGPM+1% ao mês.

Se a construtora aguardar todo esse tempo para receber os pagamentos, ela demorará 60 meses para receber todos os R$ 40 milhões, mais os juros do período, para reaver o dinheiro dela investido e assim ter o seu lucro final do empreendimento que fez.

Portanto, para ter acesso ao dinheiro investido de forma antecipada e para que consiga manter seus negócios e manter seu capital de giro, até mesmo para ter capacidade financeira para lançar outros empreendimentos, ela emite um CRI. Os créditos são vendidos para os investidores que passam a ter o direito de receber os juros do período do contrato.

Embora os certificados de recebíveis não tenham a garantia do Fundo Garantir de Crédito (FGC), isso não torna os investimentos nos títulos inseguros. É claro que sempre haverá um grau de risco, porém, não é comparado a um risco do mercado de renda variável, por exemplo. Isto porque cada emissor possui um rating, também conhecido como nota de risco.

O rating é a nota atribuída à empresa que representa a sua capacidade de pagar suas dívidas e é dada por agências de classificação de risco. As principais são: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch Ratings. Juntas, elas controlam uma parcela de mais de três quartos do mercado global de avaliações de risco.

Por meio desses ratings, é possível saber como está a saúde financeira de uma determinada empresa na qual o investidor pretende alocar seus recursos por meio de um CRI.

O exemplo acima pode ser aplicado também ao CRA, com a diferença de que o investidor estará colocando seu dinheiro em um projeto relacionado ao agronegócio. E como o Brasil é um dos principais mercados do agronegócio mundial, há a segurança de que o investidor está entrando em um mercado considerado pujante.

Isso porque o Brasil é exportador de diversos gêneros produzidos no agronegócio para várias partes do mundo, como soja, café e outros. Portanto, mesmo com eventuais crises financeiras, dificilmente o país será varrido por crises que atingem o mercado imobiliário, por exemplo.

Então, para que o investidor consiga investir em um dos certificados de recebíveis, é preciso abrir uma conta em uma corretora de valores. Daí, ele pode buscar a opção de renda fixa e fazer sua aplicação para o CRI ou CRA escolhido.

Considere alguns itens importantes, tais como: prazo de vencimento, rentabilidade, e perfil da empresa na qual se está colocando os recursos.

Com relação ao perfil da empresa, é sempre interessante buscar o rating dela. Estas informação são remetidas por agências de risco como Fitch, S&P, Moody´s. Elas fornecem análises sobre o perfil da dívida da empresa, sua capacidade de pagamento das dívidas, sua gestão e a nota que recebem – sendo que esta reflete o atual momento da companhia e o que a aguarda para o futuro.

Além das agências de risco, o investidor também pode procurar informações na equipe de Macro & Estratégia do BTG Pactual (BPAC11), que é sócio da EQI Investimentos. O time do BTG divulga periodicamente relatórios sobre as empresas e informações precisas.

O investidor também pode buscar informações também dados com um assessor de investimentos, pois este pode traduzir ainda o que cada relatório contém sobre determinadas empresas e fazer um panorama completo e ajuda o investidor a tomar a melhor decisão na hora de realizar seu investimento.

Tá, e aí? O que isso significa para o investidor?

Como se sabe, tendo em vista as dificuldades que volta e meia surgem no mercado financeiro, é sempre interessante diversificar os investimentos. Isso significa, falando em um exemplo bem prático, “não pôr todos os ovos em uma mesma cesta”, pois esta pode cair no chão. E todos os ovos que estavam no interior dela se perdem.

Daí torna-se necessário colocar todos os investimentos em um só tipo de investimento e colocar em risco o patrimônio. Vamos tomar como exemplo o mercado de renda variável. É bom ter investimentos em ações, mas isso não significa que somente este investimento é o que trará bons retornos e a ampliação de capital para um investidor.

Pois pode ocorrer um momento de grande tensão no mercado e as ações se desvalorizaram de forma acentuada. Assim, se alguém colocar todo seu patrimônio nesse tipo de investimento, acaba correndo o risco de ver tudo ir “por água abaixo” caso alguma volatilidade violenta atinja o mercado.

São fartos os exemplos na história no qual o mercado de ações passou por problemas críticos: a quebra de 1929 ou a crise de 1987, sem falar na crise do subprime, que derrubou as ações das empresas em boa parte do mundo. E se levar em conta que temos hoje um mundo globalizado e altamente conectado, o que ocorre em um país atinge o outro por consequência.

Daí torna-se necessário ter uma carteira bem variada de investimentos. A inflação subiu? Há investimentos que protegem o patrimônio quando o índice sobe muito? A bolsa cai demais? Existem aplicações de renda fixa que protegem o patrimônio de perdas expressivas.

Isso significa então que os certificados de recebíveis são aplicações importantes quando a palavra é diversificar investimentos.

Caso o investidor tenha alguma dúvida, o investidor pode acessar a EQI Investimentos e buscar a melhor orientação do mercado para obter as melhores formas de investir nos certificados de recebíveis e diversificar seus investimentos.

A retomada das Criptos?
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias