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Nubank (NUBR33) melhora crédito, anuncia presidente e reporta lucro; vale investir?

Nubank (NUBR33) melhora crédito, anuncia presidente e reporta lucro; vale investir?

Osni Alves

Osni Alves

18 Ago 2022 às 14:16 · Última atualização: 18 Ago 2022 · 8 min leitura

Osni Alves

18 Ago 2022 às 14:16 · 8 min leitura
Última atualização: 18 Ago 2022

Imagem mostra um jovem trabalhando com um painel do Nubank de fundo.

O Nubank (NUBR33) melhorou a qualidade de crédito ao revisar o índice de inadimplência, anunciou um de seus executivos como novo presidente (CEO), e reportou lucro no segundo trimestre de 2022.

O investidor afeito por ações de tecnologia tem sempre atenção aos movimentos do banco digital que um ano atrás chamou a atenção de Warren Buffet. Os componentes do Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) parecem ter melhorado substancialmente, porém, ainda assim, a fintech continua sendo uma incógnita para boa parte do mercado.

O que o investidor quer saber, de verdade, é se está na hora de comprar o papel da instituição financeira e quais os próximos passos da empresa mundo afora.

Isso porque a fintech, fundada em maio de 2013, na periferia de São Paulo, cresceu e apareceu. E não apenas isso, mas acabou ganhando o mundo. De qualquer forma, não poderia ser diferente, visto que a empresa foi criada por um colombiano, um norte-americano e uma brasileira, o que mostra que a internacionalização está no seu DNA.

Atualmente, a companhia mantém operações na Argentina, Colômbia e México, além do Brasil, é claro.

Imagem mostra o cartão do Nubank.

Nubank (NUBR33) reporta lucro em termos ajustados

O Nubank (NUBR33) reportou lucro em termos ajustados no segundo trimestre de 2022. No período, a companhia obteve US$ 17 milhões, alta de 3,03% em relação aos R$ 16,5 milhões do segundo trimestre de 2021.

De forma não ajustada, a fintech obteve prejuízo líquido de US$ 29,9 milhões no segundo trimestre do ano, um aumento de 96,7% em relação ao saldo negativo registrado um ano antes (de US$ 15,2 milhões).

O item “ajustado”, no caso, diz respeito a despesas com remuneração baseada em ações e efeitos tributários.

O balanço foi divulgado dia 15 de agosto e traz, também, receita líquida 244% maior ao alcançar US$ 1,157 bilhão. As despesas com provisões para perdas de crédito se mantiveram estáveis em 3%.

Outro indicador importante, a base de clientes aumentou em 56,6%, para 65,3 milhões, e a carteira de clientes ativos ficou em 52,3 milhões ante 29,9 milhões um ano antes. Além disso, a receita média mensal por cliente ativo mais que dobrou, para US$ 7,8.

Com esse volume de clientes o Nubank ultrapassou o Santander Brasil (SANB11) e alcançou o quinto lugar entre as principais instituições financeiras do país.

Após o balanço, o Nubank, que também está listado na Nasdaq, em Nova York, sob o ticker NU, viu suas ações subirem 17,95%, negociada a US$ 5,52.

Mudanças no organograma e fundo japonês no radar

As mudanças no organograma chamaram a atenção dos investidores ao longo desta semana. Primeiro, a instituição informou a saída da cantora Anitta do conselho de administração. Isso, por si só, já fez algum barulho no mercado.

Na sequência, o banco digital anunciou que o diretor de operações Youssef Lahrech assumirá como diretor-presidente (CEO) no lugar do fundador Davi Vélez. Segundo o comunicado, os fundadores vão se reportar ao novo chefe.

Esse volume de números e comunicados já seria suficiente para deixar o investidor encucado acerca da ação, mas, no apagar das luzes, um fato novo deixou o cenário ainda mais interessante.

Acontece que o fundo japonês Softbank comprou US$ 82 milhões em ações da fintech brasileira, em um movimento feito após a venda da participação pelos orientais na Uber. O grupo também reduziu posição no Alibaba Group.

A pergunta que fica no ar é: o que o Softbank está vendo e que boa parte do mercado ainda se esforça para enxergar? Pois bem, o BTG Pactual tem uma tese que merece atenção.

Tabela mostra análise do BTG no Nubank.
Tabela mostra números do Nubank pelo BTG.

Cuidado com a deterioração do ciclo de crédito

Um dos maiores bancos de investimentos do país, o BTG Pactual (BPAC11) destacou em relatório divulgado ao mercado em 19 de julho que o Nubank deve continuar ganhando participação de mercado em crédito ao consumidor.

Entretanto, a fintech está mais cautelosa e vigilante diante da deterioração do ciclo de crédito. “Esta abordagem se dá, principalmente, na carteira de crédito pessoal, onde o NU tem muito menos experiência e profundidade de dados do que para cartões de crédito, cerca de 3 anos vs. 10 para cartões”.

Também disse que “essa abordagem vem se traduzindo em aprovações de crédito mais baixas e taxas de juros mais altas nos empréstimos pessoais (as taxas aumentaram de cerca de 4,0% para 5,5% a.m. no 2T)”.

Para o BTG, os bancos não podem depender apenas do reajuste das taxas, pois isso contribuiria para uma seleção adversa, acelerando os NPLs, ou empréstimo inadimplente. Por conta disto, mantém preço-alvo para o Nubank em R$ 3,20 e recomendação neutra.

A tese é justificada da seguinte maneira: “gostamos da história, mas permanecemos neutros por conta do valuation e ciclo de crédito em deterioração. Somos grandes fãs da história, marca e produto do NU. O Nubank continua focado em fornecer o melhor produto para seus clientes de forma transparente, tem um ARPAC muito menor do que as incumbentes, e os recentes anúncios o colocam um passo mais perto de reduzir seus custos de captação”.

Mesmo assim, elencou o BTG, devido à valorização ainda exigente (negociando a ~3,9x o último VP) e a piora do cenário nos segmentos já arriscados aos quais o NU está mais exposto (empréstimos pessoais não garantidos), ainda é possível enxergar assimetria negativa na ação. “Esperamos que o preço permaneça volátil e potencialmente pressionado pelo resto deste ano”, concluiu.

Gráfico mostra a evolução da ação NUBR33, do Nubank; fonte: TradingView.

NUBR33 e os próximos passos

Por volta das 13h do dia 17 de agosto de 2022 a ação NUBR33 caía 4,46% e estava cotada na bolsa brasileira a R$ 4,49, conforme mostra o gráfico do TrandingView. Em uma amostragem de seis meses, é possível encontrar o papel a R$ 9,45 no dia 28 de fevereiro de 2022.

O caminho que se pode observar pela imagem não mostra, explicitamente, uma tendência e nem se o ativo está em rota de correção. Assim, por mais barata que esteja a ação, o que poderá aditivar os papéis do banco digital nos meses à frente é o traquejo dos líderes na busca por melhoria contínua dos seus indicadores.

Eles já fizeram correções precisas neste último trimestre e tudo leva a crer que os investidores profissionais estão se pautando mais na habilidade dos executivos do que em qualquer outro componente.

Já da perspectiva da análise fundamentalista, o Nubank começou concedendo crédito a um público relegado pelo mercado daquela década, ou seja, jovens sem uma vida profissional estável.

Passados quase uma década desde a fundação, quem aderiu ao roxinho em 2013 com 20 anos, em média, tem hoje quase 30. Esse público se manteve fiel e a empresa oferece muito mais atualmente do que antes.

Trata-se de um contingente de pessoas que está galgando algum espaço no mercado de trabalho e melhorando a própria condição. Também está sedento por novidade e tem predileção por tecnologia.

Com esse panorama, o Nubank não costuma perder o bonde do tempo e já se mexe para colocar na praça sua própria moeda digital até 2023. Antes disso, havia implementado uma plataforma para compra e venda de bitcoins e ethereum.

A fintech parece comprometida em popularizar o mundo dos investimentos bem como criar soluções disruptivas. Enquanto o lucro vem a passos lentos, o crescimento vem a jato. Chegar à quinta posição em um mercado altamente concorrido como o brasileiro deve significar alguma coisa. Talvez seja nisso que Berkshire Hathaway, Softbank e outros grupos ou fundos se pautam.

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