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Do que os CEOs financeiros têm mais medo em 2026?

Do que os CEOs financeiros têm mais medo em 2026?

Pesquisa da PwC mostra que ameaças digitais superam riscos geopolíticos, enquanto volatilidade de juros e renda pesa sobre decisões de curto prazo

Os riscos cibernéticos e a instabilidade macroeconômica aparecem como as principais preocupações dos CEOs do setor financeiro no Brasil, em um cenário de maior cautela no curto prazo. É o que aponta a 29ª edição da CEO Survey da PwC, que ouviu mais de 4,4 mil executivos em 95 países e traz um recorte específico para serviços financeiros.

De acordo com a pesquisa, 45% dos CEOs do setor financeiro no Brasil se dizem altamente expostos a riscos cibernéticos, percentual bem acima da média de outros setores no país (25%) e também superior ao observado no setor financeiro global.

Já a instabilidade macroeconômica surge como a segunda maior preocupação, citada por 42% dos executivos, refletindo a sensibilidade do setor a mudanças rápidas no ambiente econômico, como juros, renda e condições de crédito.

O levantamento mostra ainda que, embora os líderes mantenham uma visão relativamente mais positiva sobre a economia brasileira, o ambiente de incerteza global e doméstica tem reforçado uma postura mais defensiva nas decisões de curto prazo, com impacto direto sobre planejamento, investimentos e alocação de capital.

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Risco cibernético no topo da agenda

Durante a coletiva de apresentação da pesquisa, Lindomar Schmoller, sócio e líder de Serviços Financeiros da PwC Brasil, destacou que a liderança do risco cibernético reflete tanto a frequência quanto a magnitude de eventos recentes no país, além do avanço da digitalização do sistema financeiro.

“O risco cibernético aparece no topo porque reflete a frequência e a magnitude dos eventos recentes no Brasil. Isso colocou o tema no centro das discussões dos conselhos e tem levado as instituições a investir fortemente em blindagem, processos e controles”, afirmou Schmoller.

Segundo ele, a ampliação das conexões com parceiros, fornecedores e plataformas digitais aumenta a superfície de exposição das instituições, tornando a segurança cibernética um tema estrutural para o setor e para os reguladores.

Exclusividade na coletiva

Durante a coletiva de apresentação do estudo, o EuQueroInvestir foi um dos poucos veículos de imprensa convidados a participar do encontro e questionou a PwC sobre a relação entre o avanço da inteligência artificial e os impactos esperados sobre o mercado de trabalho no setor financeiro.

Segundo os executivos da consultoria, a automação de atividades repetitivas tende a reduzir a demanda por cargos operacionais de início de carreira, ao mesmo tempo em que eleva a exigência por profissionais com maior capacidade analítica e qualificação técnica.

Instabilidade macroeconômica pesa sobre decisões

A instabilidade macroeconômica, segunda maior preocupação dos CEOs financeiros no Brasil, está associada principalmente à volatilidade de juros, renda e atividade econômica, fatores que afetam diretamente o custo de capital, o crédito e a capacidade de pagamento de empresas e famílias.

Para Willer Marcondes, sócio da PwC Brasil, essa característica é particularmente sensível no mercado brasileiro.

“A instabilidade macroeconômica é uma característica da nossa economia. Mudanças rápidas de cenário — como juros, renda ou ambiente político — geram efeitos imediatos para os bancos, tanto no custo de capital quanto na capacidade de pagamento dos clientes”, explicou.

Na avaliação da PwC, essa combinação de riscos contribui para um ambiente em que os executivos precisam reagir rapidamente a choques de curto prazo, o que reduz a previsibilidade e reforça uma postura mais cautelosa.

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Riscos domésticos superam preocupações globais

A pesquisa indica que, diferentemente do cenário internacional, riscos geopolíticos e conflitos globais têm peso menor para os CEOs do setor financeiro no Brasil. Schmoller avalia que isso está ligado à forte concentração das operações no mercado doméstico.

“Nossa atividade financeira é muito local e concentrada em players nacionais. Por isso, os conflitos geopolíticos acabam sendo percebidos como menos relevantes aqui do que em outras regiões”, disse.

Em contrapartida, fatores internos — como segurança digital e ambiente macroeconômico — ganham protagonismo na agenda dos conselhos e da alta liderança.

Agenda pressionada pelo curto prazo

O estudo também revela que mais da metade do tempo dos CEOs do setor financeiro no Brasil é dedicada a temas de curto prazo, como gestão de riscos, compliance e resposta a eventos inesperados. Para Schmoller, esse cenário impõe um desafio adicional aos executivos.

“O CEO passa boa parte do tempo ‘apagando incêndio’. Isso acaba reduzindo o espaço para discutir temas estratégicos e de longo prazo, justamente em um momento de transformação do setor”, afirmou.

Apesar da cautela, a PwC destaca que os dados reforçam a necessidade de equilibrar a gestão de riscos imediatos com investimentos estruturais em tecnologia, segurança e novos modelos de negócio. Em fevereiro, a consultoria deve divulgar um novo estudo, o Digital Trust Insights, com dados mais detalhados sobre vulnerabilidades e maturidade digital das empresas brasileiras.

Apesar da cautela, a PwC destaca que os dados reforçam a necessidade de equilibrar a gestão de riscos imediatos com investimentos estruturais em tecnologia, segurança e novos modelos de negócio.