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Entenda por que a Vale não tem pressa para o IPO da VBM

Entenda por que a Vale não tem pressa para o IPO da VBM

Vale descarta IPO prematuro da VBM e quer primeiro provar que consegue escalar cobre a 700 mil toneladas com capex 20% a 30% menor que concorrentes

A Vale (VALE3) não tem pressa para realizar um IPO (Initial Public Offerring) de sua unidade VBM (Vale Base Metals), disse a administração da empresa em uma reunião com analistas nesta terça-feira (10), com a presença do CEO Gustavo Pimenta.

“Em relação à monetização de valor, a administração enfatizou que um IPO não é um objetivo em si”, disse os analista Ricardo Monegaglia, do Safra, que esteve no evento.

Os executivos alertaram que uma listagem prematura poderia levar a uma dissociação de valor sem gerar valor real, especialmente se a VBM continuar ancorada em um múltiplo impulsionado pelo minério de ferro.

“Em vez disso, a empresa busca primeiro demonstrar que a produção de cobre pode ser escalada de forma eficiente para cerca de 700 kt (milhares de toneladas) com uma intensidade de capex (investimentos) 20-30% menor do que a de seus concorrentes”, explica Monengalia.

Ou seja, somente após comprovar essa capacidade – e em um momento favorável do ciclo de commodities – a empresa consideraria usar a estrutura de cisão para um potencial IPO ou transação estratégica.

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Vale VBM
(Imagem: Vale/ Marcio Nagano)

Segundo notou a XP, que participou da mesma reunião, além do IPO a Vale também considera parcerias para o seu ativo.

“A companhia comentou que o IPO da VBM não é um objetivo, mas um potencial mecanismo de funding, se necessário, embora tenha reforçado que a divisão permanece totalmente autofinanciada até 2030-35E. O management também destacou que o foco para os ativos de níquel está na redução de custos e na otimização operacional”, informaram os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano.

Eles ressaltam que a Vale reconheceu o desconto persistente de valuation em relação aos pares e reiterou que a entrega consistente, particularmente no cobre, permanece o principal catalisador para um re-rating. “Opcionalidade existe, mas execução é a prioridade agora”, informa a XP.

A VBM tem operações no Brasil, Canadá e Indonésia.

Estudos técnicos

O Bradesco BBI, também presente no encontro, ressaltou que os estudos técnicos para a base de ativos remanescente da VBM serão divulgados até meados de 2026, com a decisão final de investimento para a flotação de partículas grossas (CPF) em Salobo prevista para o final do ano e para o 1º trimestre de 2027 para Almeão.

“Em relação a Hu’u, Gustavo Pimenta descreveu-acomo potencialmente a descoberta de cobre mais relevante dos últimos dois anos, com potencial para atingir 300 a 350 mil toneladas/ano e gerar receitas significativas com subprodutos”, apontam os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes.

Para o níquel, as melhorias operacionais estão no caminho certo em todos os ativos, com a administração trabalhando para que a divisão gere caixa em todos os preços do níquel, visando um ponto de equilíbrio do Ebitda de aproximadamente US$ 15 mil/tonelada para o negócio.

“Apesar dos fundamentos de mercado mais desafiadores no curto prazo, esta continua sendo uma divisão estratégica para a empresa, com a Vale fornecendo cerca de 60% do consumo dos Estados Unidos, por exemplo. Além disso, a administração vê riscos no fornecimento da Indonésia, o que poderia, em última análise, contribuir para um equilíbrio maiorentre oferta e demanda”, opinam Barcellos e Chanes.

A XP tem recomendação neutra às ações, com preço-alvo de R$ 85. O Safra tem a mesma indicação, com preço-alvo de R$ 86. Já o Bradesco BBI recomenda a compra dos ativos, observando que a recente queda nas ações proporcionu um ponto de entrada atraente.