O banco BTG Pactual (BPAC11) revisou seu exercício de taxas internas de retorno (TIRs), equivalentes ao custo de capital próprio implícito (Ke), após a forte valorização recente do mercado acionário brasileiro, com foco nas empresas sob cobertura do banco no Brasil.
Segundo o relatório, o principal destaque está na queda expressiva do custo de capital do acionista implícito, estimada em aproximadamente 100 pontos-base, contraste relevante com a redução bem mais modesta de cerca de 10 pontos-base observada no título público local de 10 anos. Na prática, o desempenho do setor financeiro superou de forma significativa o movimento da taxa real, medida pelos yields das NTN-Bs.
A atualização compara as TIRs implícitas observadas em 30 de dezembro com os preços de fechamento mais recentes, capturando os efeitos do rali registrado desde o início do ano.
Setor financeiro: Ibovespa sobe 13% até ralis recentes
Nesse período, o Ibovespa acumula alta de 13% em moeda local e de 19% em dólares, movimento impulsionado, principalmente, pelo forte ingresso de capital estrangeiro. As ações do universo de cobertura do banco também avançaram, em média, cerca de 10%, reforçando a percepção de melhora no apetite ao risco em relação aos ativos brasileiros.
Atualmente, o Ke implícito do setor analisado pelo BTG Pactual está em 15,6%, enquanto o rendimento do título público local de 10 anos gira em torno de 13,4%. Essa diferença implica um prêmio de risco de 2,2%, abaixo dos 3,1% observados no fim do ano passado, sinalizando compressão do prêmio exigido pelos investidores para manter exposição ao setor.
De acordo com o estrategista do banco, Carlos Sequeira, o crescente interesse estrangeiro por ações brasileiras tem sido um fator central nesse movimento. No acumulado do ano, investidores internacionais já compraram o equivalente a R$ 15,8 bilhões em ações locais, configurando o maior fluxo de entrada mensal observado nos últimos 12 meses.
O relatório destaca que esse fenômeno não se restringe ao Brasil. Os fluxos para fundos globais de mercados emergentes (GEM) ganharam força na segunda metade de 2025 e vêm se acelerando desde então. Apenas em janeiro, os ingressos somaram US$ 17,5 bilhões, acima dos US$ 13,1 bilhões registrados em dezembro de 2025 e dos US$ 9,0 bilhões em novembro. O volume observado em janeiro representa quase metade de todo o fluxo destinado a esses fundos ao longo de 2025.
Rotação de portfólios
Segundo o BTG Pactual, investidores globais em busca de diversificação em relação aos Estados Unidos estão promovendo uma rotação de portfólios, ampliando a exposição a mercados emergentes. Nesse contexto, os principais pares do Brasil na América Latina também apresentaram desempenho expressivo no início do ano.
Na versão atual do estudo, o banco acrescentou à tabela de acompanhamento, além do desempenho acumulado em 2026 em reais, a diferença entre o Ke implícito mais recente e o custo de capital próprio utilizado nos modelos de valuation que fundamentam os preços-alvo. Em termos teóricos, quanto menor essa diferença, mais esticado está o valuation das ações analisadas, oferecendo uma métrica adicional para avaliar o nível de preço após a recente valorização do mercado.
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