A Petrobras (PETR3; PETR4) informou nesta segunda-feira (20) que foi notificada sobre a assinatura de um contrato de compra e venda judicial de ações da Braskem entre a Novonor — ex-Odebrecht — e um fundo de investimento assessorado pela gestora IG4. A estatal também revelou ter recebido uma carta vinculante na qual o fundo se compromete a dividir o controle da petroquímica em condições de igualdade com a Petrobras.
O comprador das ações é o Shine I Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP), gerido pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4. A transação envolve ações ordinárias e preferenciais classe “A” da Braskem detidas pela NSP Investimentos, subsidiária da Novonor, e está sujeita ao cumprimento de condições ainda não detalhadas publicamente.
Governança igualitária
Na carta vinculante enviada à Petrobras, o FIP propõe a assinatura de um novo acordo de acionistas da Braskem que garantiria à estatal poder de veto em todas as deliberações do conselho de administração e da assembleia geral, além de paridade na indicação de membros para o conselho e a diretoria estatutária.
A proposta é interpretada como um movimento para neutralizar eventuais resistências da Petrobras, que detém direitos de preferência e de tag along previstos no acordo de acionistas vigente da Braskem — instrumentos que poderiam ser usados para bloquear ou complicar a operação.
Petrobras ainda não decidiu
A diretoria executiva da estatal afirmou estar avaliando os termos da operação antes de se manifestar sobre o exercício — ou não — desses direitos. A posição segue orientação aprovada pelo conselho de administração em reunião de 11 de fevereiro de 2026, quando o tema já havia sido objeto de fato relevante divulgado ao mercado.
Segundo a Ativa Investimentos, a provável entrada da IG4 no controle da Braskem é vista como um avanço importante na governança da petroquímica, mas insuficiente, por si só, para provocar uma reprecificação relevante das ações. A avaliação é que a operação resolve um problema estrutural antigo — mas não muda o ambiente de negócios no curto prazo.
O ponto central é a troca de controlador. A saída da Novonor, grupo enfraquecido e em recuperação judicial há anos, e a entrada de um sócio financeiro profissional, com a Petrobras dividindo o poder de forma equilibrada, reduz o chamado risco de ruído político — aquele tipo de incerteza que não vem do mercado, mas das disputas internas entre acionistas. Com uma governança mais clara e decisória, a Braskem ganha capacidade de agir com mais agilidade e previsibilidade.
Para o mercado, isso é positivo. Uma empresa bem governada tende a ser mais bem precificada, especialmente quando envolve uma estatal como a Petrobras, cuja presença sempre carrega algum grau de imprevisibilidade sobre interferência na gestão.
O que realmente muda?
A melhora institucional, porém, não altera os fundamentos que realmente movem o papel no mercado. A Braskem continua sendo, essencialmente, uma aposta no ciclo petroquímico — e esse ciclo ainda não dá sinais claros de recuperação.
Os spreads petroquímicos, que medem a diferença entre o preço do produto final e o custo da matéria-prima e funcionam como o principal termômetro da rentabilidade do setor, seguem pressionados. A demanda global por resinas plásticas permanece fraca, e a concorrência — especialmente de produtores asiáticos com custos menores — continua pesando sobre as margens da companhia.
Nesse cenário, a operação ajuda a “limpar a casa”, como diz a avaliação da Ativa, mas não é suficiente para mudar a direção do papel. Para que as ações da Braskem se valorizem de forma consistente, será necessário que o setor petroquímico global dê a volta por cima — e que os próximos passos estratégicos da companhia, já sob nova governança, se mostrem bem-sucedidos.
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