O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagraram, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação Juros Zero, que apura suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.
Entre os alvos da ação estão o PicPay (PICS), o Banco de Brasília – BRB (BSLI4), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev) e a Associação dos Servidores Públicos do DF (ASDF).
Ao todo, 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços de Brasília, São Paulo e Curitiba. Não há ordens de prisão nesta fase da apuração, mas a Justiça autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 90 milhões em contas do PicPay e da ASDF.
O que é investigado
Segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), o PicPay teria descontado R$ 81 milhões em salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025, valores referentes a um serviço de antecipação salarial oferecido ao funcionalismo. O contrato entre a fintech e a Secretaria de Economia do DF foi firmado em setembro de 2024.
A investigação aponta que os descontos teriam embutido cobrança de juros disfarçados como taxas, sem autorização prévia dos servidores. Entre os crimes apurados estão corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e descontos mascarados como juros.
Quem é investigado
Entre os alvos da Operação Juros Zero está o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, que comanda a fintech desde 2022. Também são investigados Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, atualmente preso em outra apuração.
Leia também:
Posicionamento do PicPay
Procurado pelo EuQueroInvestir, o PicPay enviou nota oficial sobre a operação.
“O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento,” informou a empresa, em nota enviada ao EuQueroInvestir.
A companhia afirmou não reconhecer as irregularidades apontadas pelo MPDFT.
“A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida,” destacou o PicPay.
Segundo a fintech, o valor da antecipação salarial era disponibilizado diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação feita pelo aplicativo, sem intermediários ou cobrança nessa modalidade.
“O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios,” disse a empresa.
O PicPay afirmou que seguirá colaborando com as autoridades competentes e está confiante de que eventuais esclarecimentos confirmarão a regularidade de sua atuação.
Ações caem na Nasdaq
As ações do PicPay (PICS), negociadas na Nasdaq, fecharam a sessão de quinta-feira (18) em queda de 4,46%, cotadas a US$ 10,50. Nesta sexta-feira (19), a bolsa americana não opera em razão do feriado de Juneteenth.
Desde o IPO da fintech nos Estados Unidos, em 29 de janeiro, os papéis acumulam queda de 44,74%. A oferta inicial havia precificado a ação a US$ 19. O PicPay não possui BDR negociado na B3.






