O PicPay (PICS) desponta como uma das apostas mais relevantes entre as fintechs brasileiras listadas nos Estados Unidos, impulsionado pelo potencial de crescimento de sua operação de crédito. Com uma base de aproximadamente 44 milhões de usuários ativos e uma carteira digital altamente engajada, a companhia reúne condições para acelerar a monetização de sua plataforma, ampliando receitas e rentabilidade nos próximos anos.
Em relatório que inicia a cobertura da ação, a XP atribuiu recomendação de compra para os papéis do PicPay, com preço-alvo de US$ 18 por ação. Segundo a instituição, a tese de investimento está baseada em uma possível reprecificação do ativo, sustentada principalmente pela expansão da carteira de crédito, que deve crescer a uma taxa média anual de 40% entre 2025 e 2028.
A avaliação destaca que a principal vantagem competitiva da empresa está em seu ecossistema digital. A ampla base de usuários permite ao PicPay operar com custos de aquisição de clientes estruturalmente baixos, ao mesmo tempo em que gera um grande volume de dados proprietários. Essas informações alimentam modelos de análise de risco, fortalecem a oferta de produtos e ampliam as oportunidades de venda cruzada.
Efeito virtuoso
De acordo com a XP, esse ciclo cria um efeito virtuoso em que maior engajamento gera mais dados, que, por sua vez, aprimoram a concessão de crédito e aumentam a capacidade de monetização da plataforma. O resultado esperado é uma expansão acelerada das operações financeiras sem a necessidade de investimentos proporcionais em aquisição de clientes.
O crédito é apontado como o principal motor de crescimento da companhia. A expectativa é que a carteira avance de cerca de R$ 24 bilhões em 2025 para aproximadamente R$ 64 bilhões em 2028. Nesse cenário, a participação do crédito nas receitas totais deve atingir cerca de 70%, impulsionando a receita financeira líquida e sustentando margens elevadas.
A corretora também projeta ganhos de eficiência operacional à medida que o negócio ganha escala. Com isso, o lucro líquido e o retorno sobre patrimônio (ROE) devem crescer de forma significativa nos próximos anos, alcançando cerca de 26% em 2027 e caminhando posteriormente para níveis próximos de 30%.
Apesar dessas perspectivas, as ações do PicPay ainda negociam com desconto em relação a concorrentes. Segundo a XP, o papel é negociado a aproximadamente sete vezes o lucro estimado para 2026, enquanto o Nubank opera próximo de 15 vezes. Para a instituição, a diferença reflete preocupações do mercado com a execução da estratégia de crédito, o histórico mais curto da companhia nesse segmento e possíveis oscilações na qualidade dos ativos.
O relatório conclui que o mercado pode estar subestimando a capacidade do PicPay de expandir sua carteira de crédito mantendo níveis atrativos de rentabilidade. Nesse contexto, a ação apresenta um perfil de investimento de maior risco, mas com potencial relevante de retorno, condicionado principalmente à execução da estratégia, ao ambiente macroeconômico e a eventuais mudanças regulatórias.






