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Valorização do ouro e da prata sinaliza virada na economia global

Valorização do ouro e da prata sinaliza virada na economia global

O analista Marink Martins avalia que o mundo está deixando para trás o regime de just-in-time, marcado por cadeias produtivas eficientes e estoques mínimos

A valorização recente das commodities metálicas pode ser interpretada como um sinal de mudança estrutural na economia global, segundo análise de Marink Martins, analista da EQI Research. De acordo com ele, as relações de preço entre ouro e petróleo, prata e petróleo, assim como entre metais e commodities agrícolas, como o trigo, atingiram níveis historicamente esticados, algo sem precedentes nos dados disponíveis.

Para o analista, esse movimento não é pontual nem meramente especulativo, mas reflete uma transformação mais profunda na forma como empresas e governos lidam com riscos. Martins avalia que o mundo está deixando para trás o regime de just-in-time, marcado por cadeias produtivas eficientes e estoques mínimos, e migrando para um modelo de just-in-case, no qual a redundância e a formação de estoques estratégicos passam a ser vistas como ativos valiosos.

Segundo ele, essa nova postura se assemelha ao comportamento adotado pela China nas últimas décadas. O país asiático, ciente de suas vulnerabilidades energéticas e alimentares diante de uma população numerosa, passou a investir fortemente em stockpiling, ou seja, na constituição de reservas estratégicas de diversas commodities. Esse movimento vai além do petróleo, prática comum também em países como os Estados Unidos, e inclui até mesmo produtos como carne suína.

“Melhor seria demandar na medida em que, de fato, há necessidade. Precisou, comprou, mas o mundo mudou. Não temos mais aquele mundo dos anos 90, um mundo onde o dólar era muito forte, era um mundo unipolar”, avalia ele.

Commodities metálicas: manutenção no contexto global desde os anos 90

Martins destaca que manter estoques é uma estratégia custosa, sobretudo quando comparada ao modelo em que a demanda é atendida apenas no momento da necessidade. No entanto, ele argumenta que o contexto global mudou de forma significativa em relação aos anos 1990, período caracterizado por um dólar forte, um mundo unipolar e pela liderança dos Estados Unidos como estabilizador do sistema financeiro internacional.

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Na avaliação do analista, esse contraste fica evidente ao comparar a atuação americana durante a crise asiática do fim dos anos 1990 com a postura atual. Ele cita o livro In an Uncertain World, de Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro dos EUA, que relata o esforço do governo norte-americano em apoiar economias como as do Sudeste Asiático, da Coreia do Sul e do Brasil, inclusive em negociações com autoridades brasileiras como Pedro Malan. Para Martins, tratava-se de um ambiente em que, apesar das dificuldades, havia disposição para cooperação internacional.

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O cenário atual, por outro lado, é descrito como marcado por um discurso mais intervencionista e nacionalista dos Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump. Segundo o analista da EQI Research, a mensagem de “América em primeiro lugar” representa uma ruptura com a lógica cooperativa do passado e contribui para um ambiente global mais fragmentado, no qual países e empresas buscam se proteger por meio da acumulação de ativos reais.

Nesse contexto, Martins avalia que parte relevante da valorização do ouro e da prata está associada não apenas a um descrédito em relação às moedas fiduciárias, mas também a essa chamada “era da coexistência”. Trata-se de um período em que a redundância logística e a segurança de abastecimento passam a ter valor econômico próprio, justificando um prêmio adicional nos preços das commodities metálicas.

Segundo o analista, ao invés de concentrar reservas em dólares ou em títulos do Tesouro americano, agentes econômicos vêm optando por diversificar para metais preciosos, seja por meio da compra física, seja via instrumentos financeiros. Para ele, o ouro e a prata funcionam como reservas compactas de valor, capazes de atender a essa nova demanda por segurança em um mundo mais incerto.

Marink Martins conclui que a transição do just-in-time para o just-in-case ajuda a explicar a dinâmica recente dos mercados de commodities e tende a permanecer como uma força estrutural nos próximos anos, redefinindo a forma como o risco, a logística e a acumulação de reservas como as commodities metálicas, são precificados globalmente.