Mal começou o ano de 2026 e os investidores já estão quebrando a cabeça para atualizar seus portfólios. O episódio envolvendo a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, foi suficiente para recolocar o risco geopolítico no centro das decisões de investimento.
A reação do mercado foi imediata. Os ativos de risco sofreram ajustes, enquanto o ouro avançava mais de 2,7% por volta das 14h15 desta segunda-feira (5). O metal é historicamente utilizado como hedge em momentos de tensão política.
Para o BTG Pactual (BPAC11), a movimentação atual vai além de um choque pontual. Em relatório, o banco argumenta que o risco geopolítico deixou de ser um evento de cauda e passou a integrar de forma estrutural o cenário global, sobretudo em mercados emergentes.
O movimento também se refletiu nas ações da Aura Minerals (AUGO; AURA33). Nos Estados Unidos, os papéis negociados na Nasdaq avançavam 6,06%, a US$ 53,03, por volta das 14h44. No Brasil, os BDRs (AURA33) subiam 6,74%, cotados a R$ 95,81, por volta das 14h30, acompanhando a valorização do ouro e a migração de investidores para ativos com perfil defensivo.
Dessa maneira, o ouro não deve ser tratado apenas como um mecanismo de proteção tática, mas como um componente recorrente de proteção de portfólio.
“O ouro deve permanecer sustentado por três forças. Primeiro, o risco geopolítico deixou de ser um risco de cauda e passou a ser uma característica recorrente, o que aumenta estruturalmente o valor de ativos de seguro. Segundo, a incerteza de política econômica permanece elevada nos Estados Unidos, na China e nos mercados emergentes, reforçando a demanda por ativos sem risco de crédito ou político. Terceiro, a própria construção de portfólio está mudando, com maior demanda por diversificação e proteção, em vez de puro carrego ou crescimento”, avalia o banco.
Aura Minerals como “seguro geopolítico”
É a partir dessa leitura que a Aura Minerals ganhou protagonismo para o BTG. Os analistas do banco classificam a companhia como uma espécie de “seguro geopolítico”, ao combinar exposição direta ao ouro com fundamentos operacionais que reforçam a atratividade do investimento mesmo em um ambiente de elevada volatilidade.
Do ponto de vista macroeconômico, o banco mantém uma visão construtiva para o metal precioso, mesmo com o preço à vista já negociando acima das premissas de longo prazo utilizadas nos modelos.
“Atualmente, modelamos um preço de US$ 4.000/onça em 2026, seguido por uma queda gradual em direção a US$ 3.000/onça no longo prazo, enquanto o preço à vista gira em torno de US$ 4.400. Isso sugere que o ciclo de revisões positivas não apenas permanece intacto, como ainda está em andamento”, aponta o BTG.
Crescimento operacional como gatilho adicional
No plano operacional, a Aura aparece como um vetor adicional de valorização. O banco projeta um avanço relevante na produção a partir de 2026, sustentado pela entrada de novos projetos e pela consolidação de ativos já existentes.
“Do ponto de vista bottom-up, vemos um forte momento operacional, com volumes projetados para crescer 39% em termos anuais em 2026, impulsionados pela rampa de produção da Borborema e pela consolidação da Serra Grande”, destaca o relatório.
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Valuation descontado e retorno ao acionista
Ao marcar a avaliação da companhia com base no preço à vista do ouro em uma base de ciclo completo, o BTG estima um potencial relevante de valorização para as ações. A leitura combina crescimento operacional, geração de caixa e múltiplos considerados descontados frente ao cenário atual do metal.
“A marcação da avaliação ao preço à vista do ouro implica um potencial relevante de valorização, com a Aura avaliada em aproximadamente US$ 74 por ação, o que representa um upside de 48%, um yield de fluxo de caixa livre de 11% incluindo capex de crescimento, múltiplo EV/EBITDA de 3,9x em 2026, preço sobre NAV de 0,68x e um dividend yield sustentável na faixa de 7% a 8%”, estima o banco.
Defesa em um mundo mais instável
Para o BTG, a combinação entre exposição ao ouro, crescimento operacional e valuation descontado reforça o papel da Aura Minerals em um mundo cada vez mais marcado por choques políticos e diplomáticos.
Com isso, em episódios como o da Venezuela deixam de ser exceção, ativos com perfil defensivo voltam a ocupar espaço central na estratégia dos investidores.






