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Gerdau deve se beneficiar de melhora nos EUA e menor capex

Gerdau deve se beneficiar de melhora nos EUA e menor capex

XP mantém recomendação de compra e fixa preço-alvo de R$ 25. As operações na América do Norte devem sustentar rentabilidade enquanto Brasil segue pressionado

A Gerdau (GGBR4) deve encontrar nos EUA o principal motor de resultados nos próximos anos, devido ao ambiente desafiador que ainda é visto no mercado de aço brasileiro. 

A avaliação é da XP, após um non-deal roadshow (NDR) com o CFO da companhia, Rafael Japur, e a equipe de Relações com Investidores.

Segundo os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, a divisão da América do Norte tende a apresentar desempenho resiliente ao longo de 2026, sustentada por uma carteira robusta de pedidos (backlog), aumentos recentes de preços e pelas proteções comerciais impostas pela Section 232, política dos EUA que limita importações de aço.

Nesse cenário, a XP reiterou recomendação de compra para as ações da companhia, com um preço-alvo de R$ 25 por ação para o fim de 2026.

“Esperamos que a América do Norte continue melhorando ao longo de 2026, sustentada por níveis fortes de backlog e pelos recentes aumentos de preços em meio às proteções comerciais da Section 232”, destacam os analistas.

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América do Norte deve sustentar margens da Gerdau

A XP projeta que as operações da Gerdau nos Estados Unidos entreguem margens EBITDA próximas de 24% em 2026.

Para 2027, porém, o banco adota uma postura mais conservadora e estima normalização da rentabilidade para cerca de 19%.

Um dos principais riscos para esse cenário seria uma eventual flexibilização tarifária dentro do acordo USMCA, que poderia elevar as importações de aço nos Estados Unidos.

Ainda assim, os analistas avaliam que o posicionamento da empresa no país segue sendo um diferencial relevante para sua tese de investimento.

Mercado brasileiro de aço continua desafiador

No Brasil, o cenário segue mais pressionado. A XP aponta que a indústria local enfrenta competição mais intensa, aumento de capacidade produtiva e cortes recentes nos preços do vergalhão, fatores que continuam pressionando a rentabilidade.

Nesse contexto, a casa projeta margens EBITDA entre 8% e 9% em 2026 para as operações brasileiras.

A recuperação mais consistente deve ocorrer apenas a partir do segundo semestre de 2026, impulsionada principalmente pelos ganhos de eficiência associados ao projeto minerário de Miguel Burnier, em Minas Gerais.

Segundo as estimativas da XP, reduções de custos e vendas de minério de ferro provenientes desse projeto podem adicionar cerca de:

  • R$ 250 milhões ao EBITDA em 2026
  • R$ 750 milhões em 2027

Com isso, as margens no Brasil poderiam avançar para 11% a 12% em 2027, ajudando a estabilizar a rentabilidade doméstica.

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Valuation segue atrativo

Mesmo considerando o cenário mais fraco no Brasil e a normalização gradual das margens nos Estados Unidos, a XP avalia que o valuation da Gerdau ainda parece descontado.

O banco projeta yields de fluxo de caixa livre (FCF) entre 9% e 10% em 2026 e 2027, sustentadas por três fatores principais:

  • menores necessidades de capex, com o encerramento de grandes investimentos
  • reduções de custo provenientes do projeto Miguel Burnier
  • avanço das expansões industriais

Além disso, a forte exposição da empresa ao mercado americano — associado a um custo de capital estruturalmente menor — também reforça a tese de investimento.

“Os múltiplos de P/L para 2026 e 2027 entre 7x e 8x não parecem refletir adequadamente a alta exposição da Gerdau aos EUA”, avaliam os analistas.