Descubra as 10 Maiores Pagadoras de Dividendos da Bolsa
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Moedas
Ouro dispara com escalada geopolítica após ofensiva dos EUA na Venezuela

Ouro dispara com escalada geopolítica após ofensiva dos EUA na Venezuela

Tensões geopolíticas após ação dos EUA na Venezuela impulsionam busca por proteção, elevam preços do metal precioso e reforçam o papel do ouro como porto seguro

O ouro disparou no mercado internacional nesta segunda-feira (5), impulsionado pela busca dos investidores por ativos de proteção em meio à escalada das tensões geopolíticas provocadas pelos ataques dos Estados Unidos à Venezuela no fim de semana.

A ofensiva culminou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que foi levado nesta segunda-feira para sua primeira audiência nos Estados Unidos, onde responde a acusações relacionadas a narcoterrorismo. Maduro se declarou inocente.

No mercado futuro, o contrato do ouro para fevereiro avançou 2,82% na Comex, encerrando o dia cotado a US$ 4.451,50 por onça-troy.

Diante do cenário, o nível de incerteza segue elevado. No sábado, logo após a captura de Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a jornalistas que os EUA passariam a governar a Venezuela. No entanto, no domingo, o discurso mudou. Trump sinalizou a existência de um possível entendimento entre o governo americano e Delcy Rodríguez, então vice-presidente do país.

Em entrevista à revista The Atlantic, o presidente norte-americano voltou a adotar um tom mais agressivo. Segundo ele, “se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior que o de Maduro”. Trump afirmou ainda que outros países, como Colômbia e Groenlândia, também poderiam se tornar alvos de intervenções.

Publicidade
Publicidade

Ouro dispara com busca por proteção e queda nos rendimentos

A combinação entre queda nos rendimentos dos títulos, aumento das tensões geopolíticas e uma forte busca por ativos de segurança cria um cenário excepcionalmente favorável ao metal precioso. Analistas do do World Gold Council avaliam que esse ambiente sustenta uma trajetória de alta consistente, com potencial de valorização entre 15% e 30% ao longo de 2026 em relação aos níveis atuais.

A demanda por investimentos segue como o principal motor desse movimento, especialmente por meio de ETFs lastreados em ouro, que têm compensado a fraqueza observada em outros segmentos do mercado, como joalheria e aplicações tecnológicas. Historicamente, períodos de forte valorização tendem a atrair ainda mais investidores, acelerando os ciclos de alta.

Somente neste ano, os ETFs globais de ouro registraram entradas líquidas de US$ 77 bilhões, o que resultou na adição de mais de 700 toneladas às suas reservas. Considerando o período desde maio de 2024, o aumento chega a aproximadamente 850 toneladas.

Ainda assim, esse volume representa menos da metade do observado em ciclos anteriores de alta do ouro, o que indica espaço relevante para crescimento, segundo relatório do World Gold Council.

Perspectivas para 2026

Segundo o relatório, para 2026, os mercados ainda precificam majoritariamente a continuidade do cenário atual. No entanto, divergências nos indicadores macroeconômicos, em um ambiente geoeconômico desafiador, indicam que a incerteza deverá permanecer elevada.

As preocupações com uma desaceleração do mercado de trabalho nos Estados Unidos ganham força, enquanto persistem os debates sobre a trajetória da inflação — se permanecerá resistente ou se enfrentará novas pressões de alta. Ao mesmo tempo, apesar de avanços pontuais, as tensões geopolíticas seguem latentes.

Nesse contexto, eventos inesperados continuam difíceis de antecipar. Ainda que sua natureza exata seja imprevisível, a frequência de episódios de risco extremo vem aumentando, o que reforça o papel do ouro como um importante instrumento de diversificação estratégica em períodos de maior aversão ao risco.