A Rumo (RAIL3) abriu uma apuração interna, com apoio de assessoria externa independente, após reportagens citarem a companhia em uma nova fase da Operação Ícaro. A ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à análise e à liberação de créditos de ICMS.
Em comunicado ao mercado divulgado nesta quinta-feira (3), a operadora ferroviária afirmou que não foi notificada pelo MPSP nem por qualquer outra autoridade. A companhia também declarou que não teve acesso aos autos e que, até o momento, conhece o caso apenas pelas informações publicadas pela imprensa.
“Tão logo tenha acesso aos autos, a Rumo ampliará o escopo dessa apuração conforme necessário e permanecerá à disposição do Ministério Público do Estado de São Paulo e outras autoridades para colaborar com a investigação em curso”, afirmou a companhia.
Operação Ícaro investiga créditos de ICMS
A nova fase da Operação Ícaro cumpriu buscas em 47 endereços na capital paulista, na Grande São Paulo, no interior do estado e em Mato Grosso do Sul. O advogado João André Buttini de Moraes e André Weiss, ex-integrante da cúpula da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP), foram presos.
De acordo com o MPSP, a organização investigada teria núcleos público e privado. Agentes particulares seriam responsáveis por captar empresas, negociar as supostas vantagens e repassar parte dos valores a servidores públicos, que atuariam para acelerar, centralizar ou aprovar processos tributários.
Os pagamentos indevidos corresponderiam a uma parcela entre 1% e 10% dos créditos envolvidos. Um dos investigados teria repassado aproximadamente R$ 13,6 milhões em propinas entre 2021 e agosto de 2025, segundo informações divulgadas pelo UOL.
A Cosan (CSAN3) também publicou um comunicado após reportagens mencionarem a holding e outras companhias de seu grupo. Assim como a Rumo, a empresa afirmou que não foi notificada pelas autoridades e que ainda não teve acesso a informações além das veiculadas pela imprensa.
“A Companhia reforça que mantém políticas robustas de integridade e compliance e atua, por meio de suas práticas de governança, para assegurar o estrito cumprimento das normas legais e regulatórias aplicáveis”, declarou a Cosan, acrescentando que colaborará integralmente com eventuais procedimentos.
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Como Rumo e Cosan aparecem no caso
Segundo o Metrópoles, a Rumo aparece em processos de liberação e transferência de créditos acumulados de ICMS que estão sob investigação. A reportagem menciona indícios de cobrança de propina para a liberação, mas não afirma que a companhia tenha realizado pagamentos ou autorizado vantagens indevidas.
Cosan e Comgás aparecem em outro grupo. De acordo com a publicação, transferências de créditos de ICMS das empresas teriam passado de forma dirigida por uma estrutura de aprovação rápida, chamada de fast-track. Os casos foram classificados como passíveis de cruzamento individualizado para identificar eventuais irregularidades nos valores.
Os elementos divulgados até agora não permitem afirmar que Rumo ou Cosan tenham sido formalmente acusadas de participação no esquema. As duas empresas informaram que permanecem à disposição das autoridades, enquanto a Rumo decidiu iniciar uma investigação própria para apurar os fatos mencionados nas reportagens.






