O aperto do crédito bancário no segmento corporativo deve mudar o endereço das companhias mais sólidas, na avaliação do Safra. O efeito colateral recai sobre quem tem balanço pior.
“O racionamento bancário tende a deslocar emissores de primeira linha para debêntures, deixando empresas mais frágeis com maior risco de refinanciamento”, apontam Yuri Machado e Roberto Pasqualini, analistas do Safra, em um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (3).
Os números de julho sustentam a leitura. O saldo de crédito livre para empresas caiu 1,9% em relação a junho, e as concessões recuaram 10,0% no mesmo intervalo. Para pessoas físicas, o movimento foi oposto, com alta de 6,1%.
Inadimplência sobe em todas as frentes
“A inadimplência total do sistema financeiro nacional subiu de 4,52% em março para 4,88% em julho, com deterioração também entre pessoas físicas, micro, pequenas e médias empresas e grandes empresas”, observam Machado e Pasqualini.
O estresse alcançou até o crédito direcionado, linha que costuma ter garantias e condições mais protegidas. Entre as pessoas físicas, a inadimplência desse segmento passou de 3,03% em junho para 3,37% em julho. No mesmo mês de junho, o comprometimento de renda das famílias chegou a 28,85%, o maior nível da série disponível.
Juro menor não significa crédito mais barato
“A queda dos juros nas novas concessões às famílias, sem alívio relevante no custo da carteira, sugere mudança de mix, não barateamento efetivo”, dizem Yuri Machado e Roberto Pasqualini, analistas do Safra.
Na prática, o que caiu foi a taxa média das novas operações, puxada pela composição dos produtos contratados, e não o custo do crédito já tomado.






