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Cosan acelera desalavancagem e prevê forte melhora; mas ações caem

Cosan acelera desalavancagem e prevê forte melhora; mas ações caem

Na avaliação do banco Safra, o principal destaque do balanço foi justamente a evolução da gestão de passivos

A Cosan (CSAN3) avançou na estratégia de redução do endividamento no segundo trimestre e sinalizou uma melhora significativa na capacidade de honrar suas obrigações financeiras até o fim do ano. Na avaliação do banco Safra, o principal destaque do balanço foi justamente a evolução da gestão de passivos, em meio ao processo de desinvestimentos e simplificação da estrutura corporativa. Porém, as ações apresentam queda de mais de 2%, no fim da tarde desta segunda-feira (17).

A companhia introduziu uma projeção para o índice de cobertura do serviço da dívida, que deve ficar entre 0,8 vez e 1,2 vez ao final de 2026. O indicador, que mede a capacidade de geração de recursos para fazer frente ao serviço da dívida, estava em apenas 0,2 vez no fim do segundo trimestre.

Segundo o Safra, a melhora esperada deve ser sustentada pelo recebimento de dividendos das empresas do portfólio, incluindo recursos relacionados à venda de parte das terras da Radar, além da redução das despesas financeiras proporcionada pelas iniciativas de gestão de passivos.

A dívida líquida expandida da Cosan caiu R$ 2,25 bilhões no trimestre, para R$ 9,22 bilhões. A dívida bruta expandida recuou de R$ 19,19 bilhões para R$ 16,49 bilhões, enquanto o caixa e equivalentes passaram de R$ 7,71 bilhões para R$ 7,27 bilhões.

A redução ocorreu principalmente com os recursos levantados no IPO da Compass e com os pagamentos antecipados de dívidas, que também ajudaram a melhorar o perfil de vencimentos da companhia.

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Caixa ainda pressionado por amortizações

A Cosan terminou o segundo trimestre com consumo de caixa de R$ 446 milhões, uma melhora expressiva em relação aos R$ 8,25 bilhões consumidos nos três primeiros meses do ano.

Entre as principais entradas de recursos estiveram R$ 2,43 bilhões provenientes de desinvestimentos, principalmente relacionados ao IPO da Compass, R$ 399 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio e R$ 255 milhões em receitas financeiras.

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Por outro lado, a companhia destinou R$ 2,62 bilhões para amortizações de dívida, além de R$ 481 milhões em juros e outras despesas financeiras e R$ 296 milhões em distribuições aos acionistas preferenciais.

Para o Safra, a fotografia do trimestre mostra uma companhia ainda pressionada pelo serviço da dívida, mas em processo de reorganização financeira. A expectativa é que a combinação de desinvestimentos, recebimento de dividendos e redução das despesas financeiras ajude a mudar esse quadro nos próximos meses.

Cosan simplifica estrutura

A estratégia de desalavancagem vem acompanhada de uma série de mudanças para tornar a estrutura da holding mais enxuta.

Rafael Bergman deixou o cargo de diretor financeiro, enquanto Maria Rita Drummond renunciou à vice-presidência Jurídica. José Cezário, ex-CFO da Rumo, assumirá as funções de CFO e diretor de Relações com Investidores.

A partir de setembro, a área jurídica também passará a se reportar ao novo CFO, em mais uma etapa de simplificação da estrutura gerencial.

A Cosan ainda anunciou o cancelamento voluntário da listagem de seus American Depositary Shares (ADSs) na Bolsa de Nova York (NYSE), seguido da intenção de encerrar seu registro na Securities and Exchange Commission (SEC).

Para o Safra, a decisão tende a ser positiva ao reduzir despesas corporativas e tornar a estrutura organizacional mais eficiente.

No conjunto, o segundo trimestre mostra uma Cosan ainda convivendo com uma estrutura financeira pesada, mas avançando em uma agenda clara de redução de dívida e simplificação. O grande teste para a companhia agora será transformar os desinvestimentos e os dividendos esperados em uma melhora efetiva da cobertura da dívida — e fazer o índice sair dos atuais 0,2 vez em direção à faixa de 0,8 a 1,2 vez projetada para o fim de 2026.