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Montadoras chinesas pressionam preços, mas impacto para locadoras é limitado

Montadoras chinesas pressionam preços, mas impacto para locadoras é limitado

Entrada de BYD e GWM reacende debate sobre depreciação de frotas, mas Bradesco BBI avalia que efeito é administrável para Localiza e Movida

O Brasil vive sua segunda onda de expansão das montadoras chinesas, lideradas por BYD e GWM. O processo de eletrificação da frota brasileira, aliado à prática de preços mais agressivos com a entrada dessas empresas no mercado local, tem provocado mudanças na dinâmica de comercialização de veículos no país.

Segundo o Bradesco BBI, esse movimento reacende preocupações sobre possíveis efeitos nos preços dos carros novos e, por consequência, nos níveis de depreciação das locadoras, como Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3).

Apesar disso, os analistas André Ferreira e J. Ricardo Rosalen destacam que grande parte dos modelos chineses está concentrada em veículos acima de R$ 120 mil e no segmento de SUVs, o que reduz a sobreposição com o tíquete médio de aproximadamente R$ 95 mil praticado pelas principais locadoras do Brasil.

“Entendemos que o avanço dos carros chineses pode gerar algum impacto sobre as taxas de depreciação, mas avaliamos que esse efeito é administrável para o setor”, afirma o BBI.

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Impacto dos carros chineses é considerado administrável

Ainda que as montadoras chinesas tenham chegado com força ao Brasil, os analistas ponderam que o aumento das tarifas de importação, previsto para julho, tende a limitar a capacidade dessas empresas de oferecer descontos agressivos, reduzindo o risco de um choque negativo nos preços de mercado.

Além disso, há fatores compensatórios relevantes, como maior concorrência entre fabricantes — que pode resultar em melhores condições de compra para as locadoras —, possível alívio indireto com cortes da Selic e espaço para reajustes marginais nas tarifas de aluguel, mesmo após as altas significativas registradas entre 2020 e 2025.

“A combinação entre o foco das montadoras em faixas de preço superiores, a potencial melhora nas condições de aquisição pelas locadoras, o aumento das tarifas de importação e os limites já existentes nas margens das montadoras chinesas mitiga a probabilidade de um movimento estrutural de queda nos preços dos carros utilizados pelas frotas”, avalia o BBI.

Diante desse cenário, o banco entende que ainda é prematuro revisar de forma relevante as premissas de depreciação de longo prazo — atualmente em 8% para a Localiza e 8,2% para a Movida.

“Seguimos construtivos com as duas companhias, que apresentam perspectivas robustas de crescimento do lucro projetado para 2027, de 22% no caso da Localiza e 108% no caso da Movida, além de possível revisão positiva de estimativas no curto prazo”, concluem os analistas.

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