O Mercado Livre (MELI; MELI34) chega à prévia do segundo trimestre de 2026 em um ambiente ainda competitivo no comércio eletrônico brasileiro, mas com o foco direcionado à captura de retorno dos investimentos realizados em logística, sortimento e expansão do ecossistema.
Segundo a Ágora Investimentos, Amazon (AMZN; AMZO34) e Shopee também estariam mais concentradas no amadurecimento das iniciativas já implementadas do que no início de outra rodada de subsídios e incentivos.
A casa espera mais um trimestre de crescimento operacional elevado para o Mercado Livre, com avanço de 32% no volume bruto de mercadorias em moeda constante, impulsionado principalmente pelas operações no Brasil e na Argentina.
Concorrência segue forte, mas sem nova escalada
O comércio eletrônico brasileiro permanece marcado por uma disputa intensa entre as principais plataformas. Apesar disso, a Ágora não identificou sinais de aumento relevante dos investimentos promovidos pelos concorrentes.
Amazon e Shopee devem continuar aprimorando suas estruturas logísticas e ampliando o sortimento de produtos. Para a casa, esse cenário reduz o risco de uma nova deterioração das margens provocada por subsídios, frete gratuito e incentivos comerciais.
Para a Ágora, a competição entra em uma fase diferente daquela observada durante a expansão mais agressiva das plataformas.
“O foco do setor está migrando da expansão agressiva para a captura de retorno sobre os investimentos já realizados”, afirma a casa.
O Mercado Livre também começa a colher ganhos das medidas adotadas nos últimos trimestres. A Ágora espera que os avanços de eficiência logística e operacional se tornem mais perceptíveis na segunda metade de 2026.
Mercado Livre deve ampliar GMV em 32%
Para o segundo trimestre, a Ágora projeta crescimento de 32% no GMV, valor total das vendas realizadas na plataforma, do Mercado Livre. Brasil e Argentina devem concentrar os principais avanços da plataforma.
A expansão ocorre mesmo com uma concorrência elevada no mercado brasileiro. A casa mantém uma avaliação construtiva para o restante do ano por considerar que a companhia conserva liderança, escala e capacidade de ampliar seus negócios.
“A expectativa é de mais um trimestre de forte crescimento operacional, com avanço de 32% do GMV em moeda constante”, destaca a Ágora.
No segmento financeiro, a carteira de crédito deve continuar crescendo em ritmo acelerado, especialmente nos cartões. Essa expansão, contudo, deverá manter a pressão sobre as margens no curto prazo devido ao aumento das provisões.
Mercado Pago reduz dependência do e-commerce
A Ágora considera que parte relevante das discussões sobre o Mercado Livre permanece concentrada na competição do comércio eletrônico brasileiro. Para a casa, esse recorte deixa em segundo plano outras áreas do ecossistema.
Mercado Pago, crédito, logística e fidelização já representam a maior parte da receita consolidada e continuam apresentando crescimento elevado. Esses negócios ampliam as fontes de receita e sustentam a expansão da plataforma para além das vendas realizadas no marketplace.
A casa chamou atenção para essa diferença entre a percepção do mercado e a composição atual dos negócios da companhia.
“O debate continua excessivamente concentrado no e-commerce brasileiro, enquanto Mercado Pago, crédito, logística e fidelização seguem crescendo em ritmo muito forte”, aponta a Ágora.
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Rentabilidade pode se recuperar a partir de 2027
As margens ainda devem enfrentar pressões no curto prazo devido à expansão do crédito e às iniciativas comerciais. A Ágora, entretanto, espera que o amadurecimento dos investimentos permita uma recuperação gradual da rentabilidade a partir de 2027.
A casa relaciona essa perspectiva à posição de liderança do Mercado Livre, à escala operacional e aos ganhos de eficiência esperados para os próximos trimestres.
“A combinação de liderança de mercado, escala operacional e amadurecimento dos investimentos cria condições para recuperação gradual da rentabilidade a partir de 2027”, afirma a Ágora.
Com a atualização das estimativas, a casa estabeleceu preço-alvo de R$ 117 para os BDRs MELI34 ao fim de 2027 e manteve uma visão positiva para a companhia.






