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Mercado Livre deve conviver com margens pressionadas até 2029

Mercado Livre deve conviver com margens pressionadas até 2029

A Ativa Investimentos reduziu o preço-alvo para as ações da empresa de US$ 2.600 para US$ 2.300 até o fim de 2026

O Mercado Livre (MELI34) está entrando em uma nova fase de sua estratégia na América Latina: crescer e proteger participação de mercado agora, mesmo que isso signifique abrir mão de parte da rentabilidade nos próximos anos. Essa é a principal conclusão da Ativa Investimentos em relatório que atualiza as projeções para a companhia e mantém o papel como sua principal recomendação entre as empresas cobertas.

A corretora reduziu o preço-alvo para as ações da empresa de US$ 2.600 para US$ 2.300 até o fim de 2026. Apesar do corte, o novo valor ainda representa potencial de valorização de aproximadamente 43%, o que levou a instituição a reiterar a recomendação de compra e manter o Mercado Livre como sua “top pick”.

A revisão não está relacionada a uma deterioração das perspectivas de crescimento da companhia. Pelo contrário. A Ativa elevou suas estimativas de receita, mas passou a projetar margens menores diante do aumento dos investimentos necessários para enfrentar o avanço de concorrentes como Shopee e TikTok Shop.

Mercado Livre: reforçando frentes estratégicas

Segundo a análise, o Mercado Livre está reforçando diversas frentes estratégicas simultaneamente. Entre elas estão os investimentos em logística, programas de frete grátis, expansão da oferta de cartões de crédito e aprimoramentos tecnológicos ligados à inteligência artificial, publicidade digital e experiência do usuário.

Na avaliação da corretora, essa combinação deve garantir proteção de market share em um ambiente competitivo cada vez mais acirrado, especialmente após o enfraquecimento de barreiras que favoreciam plataformas internacionais no Brasil. A expectativa é que essas iniciativas permitam que a empresa continue ampliando o volume bruto de mercadorias (GMV) e os pagamentos processados (TPV), mesmo diante da crescente pressão competitiva.

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O custo dessa estratégia, entretanto, será uma rentabilidade mais baixa no curto prazo. A Ativa revisou para baixo suas projeções de margem operacional (EBIT) e agora espera que a recuperação mais consistente dos indicadores aconteça apenas a partir de 2029.

A visão da Ativa é que os investimentos atuais devem criar vantagens competitivas difíceis de replicar pelos concorrentes. A infraestrutura logística construída ao longo dos anos é vista como um dos principais diferenciais da companhia, permitindo entregas mais rápidas e uma experiência superior para consumidores e vendedores.

Além do comércio eletrônico, o Mercado Pago continua sendo um dos principais motores de crescimento do grupo. O relatório destaca a expansão da oferta de cartões de crédito como ferramenta para aumentar monetização e fortalecer o relacionamento com os usuários.

Outro potencial catalisador está na frente regulatória. A companhia aguarda a aprovação de licenças bancárias na Argentina e no México e espera obter o primeiro aval dos respectivos bancos centrais até o final de 2026. Caso isso ocorra, o Mercado Pago poderá iniciar operações como banco nesses mercados, ampliando significativamente seu leque de produtos financeiros.

No Brasil, porém, a empresa não demonstra interesse em buscar uma licença bancária. Segundo a Ativa, os incentivos são limitados, já que a estrutura atual como instituição financeira oferece benefícios semelhantes sem a necessidade de assumir exigências regulatórias adicionais.

Apesar da visão positiva para o longo prazo, a corretora ressalta que os próximos dois anos devem continuar marcados por pressão sobre margens e geração de caixa. O mercado também seguirá atento aos riscos competitivos, principalmente diante da agressividade comercial de Shopee e TikTok Shop, que continuam utilizando cupons de desconto, frete subsidiado e produtos de baixo valor para atrair consumidores.

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