A aquisição da FMU pela Ânima Educação (ANIM3) foi recebida com cautela pelo BTG Pactual (BPAC11) e pela Ágora Investimentos. As duas casas destacaram o preço elevado da transação, o aumento da alavancagem e a dependência da execução das sinergias projetadas.
O BTG avaliou que a operação altera a tese baseada em geração de caixa, dividendos e disciplina na alocação de capital. Diante dessa mudança, o banco rebaixou a recomendação de compra para neutro e reduziu o preço-alvo das ações de R$ 7 para R$ 4.
A Ágora classificou o negócio como uma aposta cara na recuperação da FMU. A casa reconhece o potencial de melhoria operacional, mas considera que o valor pago limita a criação de valor no curto prazo.
BTG rebaixa Ânima após aquisição da FMU
A Ânima estabeleceu um equity value de R$ 410 milhões para a compra da FMU. Ao adicionar a dívida líquida ajustada de aproximadamente R$ 150 milhões da instituição, o BTG calcula um valor da firma próximo de R$ 560 milhões.
Esse montante equivale a cerca de dez vezes o Ebitda ajustado da FMU nos 12 meses encerrados em março. A instituição registrou Ebitda de R$ 53 milhões e receita líquida de R$ 282 milhões no período.
Na comparação apresentada pelo banco, a própria Ânima negocia a aproximadamente 3,3 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses.
O BTG abriu seu relatório com a avaliação de que o aumento de tamanho não necessariamente melhora a tese de investimento.
“Quanto maior não é melhor. Os pilares que sustentavam nossa recomendação de compra não estão mais presentes. Por isso, estamos rebaixando a ação para neutro”, afirma o banco.
Segundo a casa, a compra interrompe a tese construída desde a aquisição dos ativos brasileiros da Laureate, sustentada por geração consistente de fluxo de caixa livre, maior capacidade de distribuir dividendos e uma estratégia mais disciplinada de alocação de capital.
A alavancagem pro forma da Ânima deve subir de 2,39 para 2,73 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Sem considerar sinergias expressivas, o BTG estima que sua projeção de lucro para 2030 poderá cair mais de 20%.
O banco também apontou menor visibilidade para os dividendos futuros. Após incorporar a aquisição e o aumento do custo de capital no Brasil, o preço-alvo foi reduzido para R$ 4 por ação.
Ágora vê aposta cara em tese de recuperação
A Ágora calcula que o valor da firma de R$ 560 milhões representa aproximadamente 52% do valor de mercado da Ânima. A operação teria sido fechada a 10,6 vezes o Ebitda da FMU, diante de uma média próxima de 3,5 vezes entre as empresas de educação listadas.
Para a casa, o preço exige que a Ânima consiga recuperar os resultados de um ativo que perdeu participação no mercado de ensino superior de São Paulo. A fatia da FMU recuou de 9% para 6,2% entre 2021 e 2024.
A instituição também está em recuperação judicial desde março de 2025. O plano de reestruturação foi aprovado pelos credores em dezembro e homologado pela Justiça em fevereiro de 2026.
A Ágora reconhece possíveis ganhos operacionais, mas ressalta que o preço pago deixa pouco espaço para falhas na recuperação da FMU.
“Apesar desse potencial de criação de valor, vemos a operação com cautela. O preço pago representa um prêmio significativo frente aos múltiplos do setor”, afirma a casa.
A operação deve elevar a alavancagem da Ânima de aproximadamente 2,4 para 2,7 vezes. Outro ponto citado foi a exposição da FMU aos cursos de ensino a distância e híbridos, que representam cerca de 30% da receita e poderão ser afetados pelo novo marco regulatório do setor.
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Sinergias podem reduzir múltiplo da aquisição
A Ágora reconhece que a FMU possui uma marca tradicional, nota institucional máxima no Ministério da Educação e presença relevante nos cursos de Direito e Saúde. A instituição reúne cerca de 51 mil alunos, seis campi em São Paulo e mais de 200 polos de ensino a distância.
A Ânima estima elevar a margem Ebitda da FMU dos atuais 19% para até 41%, nível próximo ao de instituições comparáveis do grupo. Nesse cenário, a Ágora calcula que o múltiplo implícito da aquisição poderia recuar para aproximadamente cinco vezes o Ebitda.
O contrato também prevê um pagamento adicional caso o Ebitda da FMU supere R$ 70 milhões em 2029. A meta corresponde a uma margem próxima de 22%, considerando receitas acompanhando a inflação.






