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Mercado Livre amplia operação de remédios e inclui oferta de GLP-1

Mercado Livre amplia operação de remédios e inclui oferta de GLP-1

A expansão do e-commerce no varejo farmacêutico aumenta a disputa por consumidores e vendas com as farmácias de rede

O Mercado Livre (MELI34) inicia nesta sexta-feira (25) mais uma expansão no setor farmacêutico. A partir de agora, a farmácia própria da plataforma venderá medicamentos com prescrição, desde antibióticos até as canetas de GLP-1, as famosas canetas de emagrecimento.

A iniciativa amplia o projeto que antes vendia apenas medicamentos sem prescrição em bairros selecionados de São Paulo. Agora os clientes enviarão suas receitas para um farmacêutico validar e liberar o pedido. A operação ainda está restrita a São Paulo, por enquanto.

O lançamento ocorre após a Anvisa suspender, em agosto, as regras que impediam o Mercado Livre de vender e fazer publicidade de medicamentos.

Segundo a XP Investimentos, a expansão é um movimento positivo para a empresa, que agora abre uma nova fonte de receita em um grande setor com alta frequência. Além disso, a administração do Mercado Livre enfatizou que as taxas de conversão no segmento são superiores às de outras categorias.

“A fase inicial deve exigir investimentos, incluindo frota própria de entregadores, equipe de farmacêuticos e estoque 1P [quando a plataforma compra diretamente os produtos dos fornecedores controla toda a cadeia de comercialização], o que pode pesar sobre margens já pressionadas no curto prazo”, analisam Pedro Caravina e Laryssa Sumer.

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Logística como diferencial

Para reforçar sua entrada no setor, o Mercado Livre lançou o “Chega Agora”, uma operação de entrega que promete entregar produtos, de qualquer categoria, de até 15 kg em até 60 minutos. Operando na rede própria de entregadores da companhia.

Em fase inicial, a operação piloto começou em cerca de cinco bairros, não divulgados, em São Paulo. A plataforma espera integrar três redes farmacêuticas parceiras, que também não foram divulgadas, até outubro e 20 farmácias até o final de 2026.

“A administração vinculou o serviço diretamente às suas ambições no segmento farmacêutico, embora ele também atenda outras categorias, como pet”, apontam os analistas da XP.

O Mercado Livre também anunciou que abrirá uma vertical para farmácias 3P, em que farmácias parceiras poderão usar a plataforma para vender medicamentos, ao invés da própria plataforma vendê-los.

Mercado mais competitivo

Com a entrada da gigante do e-commerce no setor dominado pelas farmácias de rede, o mercado pode se aquecer e ficar ainda mais competitivo para o varejo farmacêutico.

Porém, os analistas da XP têm uma outra visão: a entrada do Mercado Livre era esperada, já que os investidores apontaram isso como um dos principais riscos para o setor. E, apesar de ser um concorrente bem capitalizado, a escala inicial ainda deve permanecer limitada.

Em contrapartida, as grandes redes se mantêm bem posicionadas devido às suas vantagens competitivas como as lojas físicas, que ainda são valorizadas pelos consumidores, além da escala e da integração entre dos canais, que proporcionam uma experiência mais consistente para o cliente.

“Acreditamos que os primeiros parceiros serão redes menores, com menor alcance digital. Ao longo do tempo, no entanto, o Mercado Livre pode ganhar participação de um setor ainda fragmentado, de mais de R$ 200 bilhões, no qual a RD Saúde (RADL3) detém menos de 20% de participação, principalmente em categorias recorrentes e impulsionadas por conveniência”, estimam os analistas.

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