Home
Notícias
Mercados
Expansão do GLP-1 anima setor farmacêutico em baixa

Expansão do GLP-1 anima setor farmacêutico em baixa

RD Saúde e Panvel se mantém em alta e devem se beneficiar com o potencial de ganhos vindo dos remédios contra a obesidade

A ascensão dos medicamentos à base de GLP-1 no Brasil deixou de ser visto como um risco para a lucratividade do setor e, após a estabilização das vendas e da margem bruta no segundo trimestre, pode se tornar um estímulo para alta, aponta um relatório da Ágora Investimentos publicado na segunda-feira (31).

A avaliação foi feita após a estabilização das vendas no mercado no segundo trimestre de 2026 e indicações de margens brutas mais fracas do que o esperado para o Ozivy (semaglutida da EMS), que ficou amplamente em linha com as versões de referência patenteadas (cerca de 18%).

Com isso, os analistas entendem que o risco de queda nos lucros da RD Saúde (RADL3) relacionado ao GLP-1 parece limitado neste momento. A corretrora estima o lucro líquido de consenso para 2027 em R$ 2,02 bilhões (2% abaixo das estimativas), uma queda de 10% em relação ao pico de maio de R$ 2,24 bilhões.

“Vemos o GLP-1 agora com um potencial impulsionador de alta em nosso modelo para a RD Saúde”, explicam Marcio Osako e Larissa Monte.

A estimativa conservadora da Ágora aponta para apenas um aumento de 0,1 p.p. na margem bruta proveniente do GLP-1 entre o terceiro trimestre de 2027 e o segundo trimestre de 2028, contra 0,4 p.p. no total anteriormente entre 2027 e 2030.

Publicidade
Publicidade

“Na atual penetração de vendas de 12%, isso exige que a margem bruta do GLP-1 melhore em apenas 1 p.p., de 18% para 19% (vs. margem bruta geral de cerca de 30%)”, avaliam Osako e Monte.

Eles observam que a margem bruta do GLP-1 já melhorou cerca de 3 pontos percentuais, de aproximadamente 15% em 2025 para os atuais 18%.

O preço-alvo da RD Saúde para 2027 foi mantido em R$ 25, com recomendação de compra.

RD Saúde segue em alta

A companhia segue sendo a principal escolha dos analistas para o setor, por conta dos múltiplos que seguem atrativos. O P/L (preço sobre o lucro) está em 18 vezes, um desconto significativo em comparação com as médias dos anos passados.

Para a Ágora, os benefícios do GLP-1 podem ainda não estar precificados, já que o P/L ficou apenas 5% acima da mínima de julho de 2025, depois do lançamento do Mounjaro.

“Apoiada  em fundamentos sólidos de crescimento (expansão de lojas de 9%; crescimento de cerca de 5,5% nas vendas em mesmas lojas maduras excluindo GLP-1 e crescimento de 14% em higiene e beleza no segundo trimestre de 2026), potencial de alta com o GLP-1 e amplo espaço para expansão de margem no longo prazo com a maturação das lojas e diluição de despesas gerais e administrativas.”, afirmam os analistas.

Panvel
(Imagem: Leonardo AI)

Panvel com valuation atrativo

Forte momento de lucros e valuation atrativo, com potencial de alta de 37% e preço 7,8 vezes o lucro para 2027, fez com que a Panvel fosse elevada para recomendação de compra.

As estimativas se alinham a projeção do Ebtida da empresa 4% abaixo do limite inferior para 2030, desenvolvendo uma taxa de crescimento de 20% entre 2026 e 2030, o que favorece o GLP-1. 

A expectativa é que o crescimento da receita continue robusto no segundo semestre de 2026, em comparação com a alta de 15,7% do primeiro semestre, e em 2027, com a probabilidade de crescimento de 13,4%.

“A Panvel tem como meta vendas brutas de R$ 11,5 bilhões a R$ 12 bilhões e uma margem Ebitda de 6,7% a 7,0%, implicando e uma forte taxa média de crescimento do Ebitda entre 2025 e 2030 de 18% a 21%. Esse crescimento deve ser impulsionado pela aceleração na abertura de lojas, com a empresa visando de 950 a 1.000 lojas até 2030, bem como maior penetração do GLP-1.”, declaram os analistas.

O preço-alvo foi elevado de R$ 15 para R$ 16, com a recomendação de compra mantida. A Ágora também revisou a projeção para as ações da Pague Menos (PGMN3), cujo preço-alvo caiu de R$ 6 para R$ 5,50, também com sugestão de compra.

Leia mais: