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Axia Energia: bancos veem balanço forte, mas pressão nos preços da energia procupa

Axia Energia: bancos veem balanço forte, mas pressão nos preços da energia procupa

As despesas financeiras líquidas foram de R$ 1,6 bilhão, bem abaixo dos R$ 3,06 bilhões estimados pelo BTG

A Axia Energia (AXIA3) entregou um terceiro trimestre de 2026 (3T26) com EBITDA em linha e lucro acima do esperado, mas os analistas do BTG Pactual (BPAC11) e do Itaú BBA chamam atenção para o que vem pela frente: chuvas favoráveis e demanda mais fraca devem manter os preços de curto prazo sob pressão, com risco de baixa para os resultados entre o 4T26 e o 2T27. Para o Itaú BBA, a tese de investimento não muda, e a companhia já vem se posicionando com a ampliação de sua posição vendida de energia.

O Itaú BBA classificou o balanço como “neutro”. Segundo o banco, o GSF (fator de ajuste da geração hidrelétrica) mais favorável sustentou a energia disponível, e a maior exposição ao Norte e Nordeste rendeu ganhos de modulação na comparação anual. O problema está no cenário de preços: a hidrologia favorável, com chuvas concentradas em reservatórios de grande capacidade e níveis de armazenamento mais altos, somada a uma expectativa de carga mais branda, deve pesar sobre a energia no curto prazo.

O BTG Pactual, por sua vez, descreveu o trimestre como de EBITDA em linha e lucro forte. O banco atribui o EBITDA mais fraco que o do primeiro trimestre, quando a empresa registrou resultado recorde, aos preços de energia menores no período e à estratégia de alocação de energia ao longo do ano.

Como a empresa se protegeu

Diante desse cenário, a Axia Energia aumentou sua posição vendida: adicionou 1,2 GWmédios para 2026, 1,0 GWmédio para 2027 e 250 MWmédios para 2028, além de ampliar compras a preços de mercado mais baixos. A companhia também garantiu liquidez antes da recente queda da curva de preços, inclusive com vendas para 2027 acima dos níveis atuais.

No balanço de energia atualizado, a exposição a preços em 2027 recuou para a faixa de 19% a 41%, ante 27% a 43% no 2T26, com preço mantido entre R$ 200 e R$ 230/MWh. Para 2028, a exposição ficou praticamente estável, entre 23% e 56%, mas a faixa de preço subiu para R$ 200 a R$ 240/MWh, ante R$ 190 a R$ 230/MWh no trimestre anterior.

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O EBITDA regulatório ajustado somou R$ 6,21 bilhões, alta de 5% sobre o 3T25 e praticamente igual aos R$ 6,24 bilhões estimados pelo BTG. O Itaú BBA, que usa critérios de ajuste diferentes, chegou a R$ 6,1 bilhões.

A margem de contribuição da geração subiu para R$ 3,07 bilhões, ante R$ 2,8 bilhões um ano antes, com ajuda dos reajustes da Receita Anual Permitida (RAP). As despesas de PMSO caíram para R$ 1,38 bilhão, abaixo dos R$ 1,52 bilhão projetados pelo BTG e dos R$ 1,54 bilhão do 3T25, com economia em todas as linhas. Do lado negativo, as provisões ajustadas somaram R$ 190 milhões, contra uma reversão de R$ 206 milhões no mesmo período do ano passado.

O lucro líquido regulatório chegou a R$ 3,37 bilhões. As despesas financeiras líquidas foram de R$ 1,6 bilhão, bem abaixo dos R$ 3,06 bilhões estimados pelo BTG, graças à atualização monetária positiva de créditos tributários e depósitos judiciais. O Itaú BBA acrescenta que o resultado financeiro também foi beneficiado pela correção de recebíveis da CDE e por efeitos cambiais.

A equivalência patrimonial foi de R$ 709 milhões, ante R$ 296 milhões no 2T26, impulsionada principalmente pela IE Madeira. O imposto de renda somou R$ 204 milhões, abaixo dos R$ 357 milhões previstos, reflexo de uma alíquota efetiva menor.

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