Para quem investe em criptomoedas, as últimas semanas têm sido desanimadoras. Em menos de seis meses, o Bitcoin saiu da máxima histórica de US$ 126 mil e voltou ao patamar dos US$ 60 mil — uma queda superior a 50%.
Mesmo com essa oscilação, os investidores brasileiros continuaram comprando Bitcoin em peso. De acordo com o Mercado Bitcoin, na primeira semana de fevereiro, período de maior queda do criptoativo, a plataforma registrou 5,6 vezes mais investidores comprando do que vendendo Bitcoin.
Vale lembrar que, durante esse período — mais precisamente na quinta-feira (5) —, o BTC registrou sua maior desvalorização diária desde 2022.
“Ao longo de 2021, o Bitcoin chegou a despencar quase 60%. Pouco tempo depois, o ativo mais que dobrou de valor em menos de seis meses. É justamente nas fases de maior turbulência que se constroem os ganhos de longo prazo, desde que o investidor mantenha sua estratégia e não se deixe levar pelas emoções”, comenta Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin.
O especialista aponta que a queda do Bitcoin não é aleatória, pois há fatores específicos que fundamentam a forte desvalorização do ativo.
ETFs e incerteza macroeconômica no mundo impulsionam queda do Bitcoin
O Mercado Bitcoin explica que um dos principais motivos para a queda do Bitcoin foram os resgates dos ETFs de Bitcoin, que aumentaram a liquidez no mercado. Segundo a plataforma, mais de US$ 318 milhões saíram desses fundos na última semana, um dos maiores fluxos negativos da história dos ETFs.
“O mercado interpretou o movimento como um sinal de que investidores institucionais estão reduzindo o risco, impactando o curto prazo de duas formas. A primeira é a pressão direta sobre os preços, causada pela relação entre oferta e demanda. A segunda é o efeito sobre o comportamento de outros investidores, já que muitos tendem a seguir o mesmo caminho quando grandes players começam a vender”, afirma a plataforma.
Além disso, o Mercado Bitcoin cita que a combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos aumenta os riscos imediatos.
“A tensão crescente entre Estados Unidos e Irã, somada a indicadores de crescimento econômico mais fraco em algumas regiões, volatilidade cambial e instabilidade política, reforça a cautela entre investidores institucionais e de varejo”, explica.
A plataforma ressalta ainda que, nesse contexto, o mercado tende a se mover com mais intensidade, e ativos alternativos, como criptomoedas, podem apresentar oscilações mais acentuadas.
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Outro ponto de cautela destacado pelo Mercado Bitcoin é a expectativa de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos. Os analistas do MB afirmam que juros altos na maior economia do mundo fortalecem o dólar e limitam a liquidez para investimentos mais voláteis, como o Bitcoin e outros ativos de risco.
Dessa forma, enquanto não surgirem sinais claros de alívio, o cenário deve manter os mercados sob pressão, reduzir a entrada de capital em ativos de maior risco e aumentar a atratividade de aplicações consideradas mais seguras, como títulos atrelados à taxa de juros.
Rony reforça que começar a investir no ativo agora pode representar uma oportunidade de aproveitar a baixa. Para isso, uma das estratégias mais eficientes continua sendo a realização de pequenos aportes de forma constante.
“Essa abordagem dilui o preço médio ao longo do tempo e reduz a necessidade de análises gráficas complexas, permitindo capturar bons pontos de entrada mesmo em cenários voláteis”, afirma o Head de Research.





