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Irã: Qual é o próximo passo de Trump?

Irã: Qual é o próximo passo de Trump?

A indefinição sobre o dia seguinte é, ela mesma, uma mensagem ao mundo: a guerra avança, mas a paz ainda não tem arquiteto.

A morte do líder supremo Ali Khamenei, confirmada pelo governo iraniano neste domingo, abriu um vácuo de poder sem precedentes no Irã — e expôs uma lacuna igualmente preocupante na estratégia americana: o presidente Donald Trump ainda não tem uma resposta clara sobre quem deve governar o país de 90 milhões de habitantes após o conflito.

Khamenei morreu em consequência de ataques atribuídos a Israel que destruíram seu complexo no sábado. Um conselho de três pessoas assumiu o controle interino do país enquanto um sucessor não é nomeado.

O próprio Trump admitiu, em entrevista à rede ABC, que os ataques eliminaram os principais candidatos à sucessão.

O analista Greg Brew, especialista em Irã do Eurasia Group, apontou que o favorito ao cargo é Alireza Arafi, membro do conselho de liderança. “Ele é um linha-dura como Khamenei”, disse Brew, acrescentando que o processo para escolha do sucessor está sendo acelerado.

No campo militar, os ataques seguem em ritmo intenso. Estados Unidos e Israel atingiram cerca de 2.000 alvos no domingo, incluindo o programa de mísseis balísticos iraniano. O saldo humano é pesado: mais de 550 iranianos e quatro militares americanos mortos.

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Um ataque iraniano à cidade israelense de Beit Shemesh deixou nove vítimas fatais. Três aviões americanos foram abatidos sobre o Kuwait em um “incidente de fogo amigo”, sem baixas. Trump reconheceu publicamente que pode haver mais vítimas americanas.

O conflito transbordou para novas frentes. O Hezbollah, milícia libanesa apoiada por Teerã, disparou foguetes contra Israel, que respondeu com ataques ao sul de Beirute — 31 mortos, segundo a mídia libanesa. O ministro da Defesa israelense não descartou uma invasão terrestre ao Líbano. Os Emirados Árabes Unidos também foram atingidos: 21 drones atacaram alvos civis no fim de semana, com um hotel em Dubai pegando fogo. Nenhum país do Golfo foi poupado.

Dois cenários

Quanto ao futuro do Irã, Trump oscila entre dois cenários distintos. Ao New York Times, ele afirmou que os ataques militares podem durar “quatro a cinco semanas, se necessário”, mas evitou detalhar o que vem depois.

Numa possibilidade, o presidente americano cogita um desfecho semelhante ao da Venezuela — regime mantido, mas com um novo líder disposto a negociar com Washington. Em outra, declarou esperança de que as forças militares iranianas simplesmente “entreguem suas armas ao povo iraniano” — o mesmo povo que o regime fuzilou em massa durante os protestos deste ano.

A indefinição de Trump sobre o dia seguinte é, ela mesma, uma mensagem ao mundo: a guerra avança, mas a paz ainda não tem arquiteto.

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