O BTG Pactual realizou ajustes táticos na carteira de ETFs para junho, reduzindo a exposição doméstica e ampliando a alocação em ativos globais. O movimento reflete a deterioração do ambiente para ativos brasileiros em relação a mercados com maior exposição à tecnologia.
Em maio, os mercados reforçaram a recuperação de ativos de crescimento (growth) em detrimento dos papéis ligados ao petróleo (value). Nesse contexto, o Brasil e outros mercados de commodities ficaram para trás em relação a emergentes asiáticos, como Coreia do Sul e Sudeste Asiático.
Brasil perde espaço por inflação e revisão da Selic terminal
A matriz de riscos inflacionários no Brasil se ampliou com dois novos fatores: o choque nos preços dos fertilizantes e a possibilidade de um Super El Niño ao final de 2026.
Esses elementos, somados à inflação já pressionada, levaram o mercado a revisar para cima a Selic terminal. O BTG vê pouco espaço para que o Banco Central mantenha um ciclo relevante de corte de juros.
A resposta na carteira foi reduzir os ETFs locais de 80% para 72,5%, como primeiro passo da redução da exposição doméstica. A medida inclui menor posição em prefixados, corte na exposição a ações brasileiras e encurtamento de duration nos ETFs atrelados ao IPCA.
EUA e renda fixa americana ganham peso na carteira
A alocação global foi elevada de 20% para 27,5%, concentrada em dois veículos: SPXB11, que replica o S&P 500, e HGBR11, voltado à renda fixa de alta qualidade americana.
O BTG avalia que equity e renda fixa high grade dos EUA oferecem o melhor retorno ajustado ao risco no curto prazo entre os mercados globais.
A combinação de tecnologia resiliente nos EUA, menor sensibilidade a commodities e curva de juros mais previsível justifica a preferência por esses mercados em detrimento dos ativos domésticos no momento atual.
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