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Assaí vê consumo pressionado no 2º semestre, mas aposta em ganho de margem

Assaí vê consumo pressionado no 2º semestre, mas aposta em ganho de margem

A companhia destacou em teleconferência também projetos como marca própria, farmácias e serviços financeiros como potenciais vetores de crescimento

Mesmo diante de um cenário de consumo ainda desafiador, o Assaí (ASAI3) espera continuar ampliando sua margem bruta nos próximos trimestres, apoiado pela maturação das lojas e por novas iniciativas comerciais. A avaliação consta em relatório da Ativa após a teleconferência de resultados do segundo trimestre, na qual a companhia destacou também projetos como marca própria, farmácias e serviços financeiros como potenciais vetores de crescimento e geração de valor.

A Ativa manteve a recomendação de compra para as ações do Assaí, com preço-alvo de R$ 14, o que representa potencial de valorização de 64,9% sobre o último preço considerado no relatório, de R$ 8,49.

Para a companhia, o ambiente macroeconômico deve continuar pressionando o consumo no segundo semestre, principalmente entre as classes C, D e E e os pequenos clientes empresariais do segmento de food service. O cenário, porém, não estaria afetando de forma relevante os consumidores de alta renda.

Um dos principais reflexos desse ambiente é o chamado trade-down, quando o consumidor migra para produtos mais baratos para preservar o volume comprado. Segundo o Assaí, esse movimento está ocorrendo em uma intensidade de 2% a 3% e deve continuar no terceiro e quarto trimestres.

A companhia afirma que o consumidor mantém praticamente o mesmo volume em quilos, mas troca marcas líderes por alternativas mais baratas. Em um exemplo apresentado durante a teleconferência, dois carrinhos de compras com 91 quilos de produtos custariam R$ 830 com marcas líderes e R$ 437 com marcas alternativas.

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O movimento mostra que o consumidor está operando com um teto de gasto mais rígido. Dessa forma, o Assaí consegue realizar repasses de preços, mas encontra maior dificuldade para aumentar o volume vendido por cliente.

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Mudança no carrinho limita crescimento

A mudança no comportamento do consumidor também aparece na composição da cesta. Segundo o Assaí, houve redução no consumo de carboidratos e aumento da participação de proteínas.

No food service, a frequência de compras permanece relativamente estável, mas o volume adquirido por compra está menor. A expectativa da companhia é de que o efeito continue ao longo do segundo semestre.

A empresa, contudo, vê uma base de comparação mais favorável em agosto e setembro, devido à queda registrada no volume de arroz e feijão no mesmo período do ano passado. O Assaí também acredita ter capacidade de repassar eventuais aumentos de custos caso um possível fenômeno El Niño pressione os preços das commodities.

A Ativa avalia que o ambiente de consumo continua sendo o principal desafio para a companhia, mas destaca que a pressão está mais relacionada ao cenário macroeconômico do que à concorrência.

Margem bruta deve continuar avançando

Se o crescimento das vendas permanece sob pressão, a expansão da margem bruta aparece como uma das principais apostas do Assaí.

A companhia espera continuar obtendo ganhos de rentabilidade, com aproximadamente metade do avanço vindo da maturação das lojas e a outra metade de novas iniciativas.

Uma delas é o fatiamento de produtos, iniciativa que chegou a gerar controvérsia no momento de sua implementação, mas que atualmente é apontada pela administração como importante fonte de ganho de margem.

A marca própria é vista como o próximo grande vetor de expansão da rentabilidade. O objetivo não é necessariamente aumentar as vendas, mas melhorar as margens e ampliar o poder de negociação da companhia com os fornecedores.

A estratégia prevê produtos posicionados em qualidade semelhante à das marcas líderes, em vez de competir apenas pelo menor preço.