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Mercado vê 2T26 sólido da Allos, mas alerta para lucro inflado por crédito fiscal

Mercado vê 2T26 sólido da Allos, mas alerta para lucro inflado por crédito fiscal

Receita e FFO cresceram 12%, impulsionados por serviços e eficiência; venda de terreno e crédito tributário exigem ajustes

O mercado avaliou como sólido o balanço da Allos (ALOS3) no segundo trimestre de 2026. Bradesco BBI, XP, Safra e Genial destacaram o crescimento das receitas de serviços, a expansão do FFO e o controle de despesas, embora parte do desempenho tenha sido sustentada por efeitos não recorrentes.

A receita líquida cresceu 11,6% em um ano, para R$ 732,3 milhões. O resultado ficou cerca de 3% acima dos R$ 708,4 milhões esperados pelo consenso compilado pela LSEG.

O Ebitda ajustado avançou 10,4%, para R$ 525,4 milhões. O valor superou as projeções de XP, Safra e Genial, mas ficou aproximadamente 2% abaixo dos R$ 533,7 milhões estimados pelo consenso mais amplo do mercado.

Na bolsa, as ações da Allos avançavam 0,63% na manhã desta sexta-feira (7), negociadas a R$ 27,17 às 11h19.

“Esperamos uma reação levemente positiva do mercado. Os números reforçam a resiliência operacional e a gestão eficiente de despesas”, afirmam Bruno Mendonça e Ricardo França, do Bradesco BBI.

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Serviços e mídia puxam receita da Allos

A receita de serviços foi o principal vetor de crescimento do trimestre. A linha aumentou 39,6% em um ano, para R$ 115,9 milhões, impulsionada principalmente pela expansão da plataforma de mídia Helloo.

A receita da Helloo cresceu 84,5% e passou a representar 10,6% da receita bruta da companhia, diante de 6,4% no mesmo período de 2025. O desempenho foi beneficiado pelas operações em aeroportos e por projetos publicitários relacionados à Copa do Mundo.

A receita de locação apresentou avanço mais moderado, de 2,6%, para R$ 499 milhões. Sem o efeito do Shopping Tijuca, o crescimento teria alcançado 4,1%. A receita de estacionamento aumentou 6,2%, para R$ 133 milhões.

A Allos também reconheceu R$ 15,4 milhões relacionados à venda de um terreno em Uberlândia e R$ 9 milhões em adiantamentos de seguros pelas perdas operacionais provocadas pelo incidente no Shopping Tijuca.

Para Rafael Rehder e Olavo Fleming, do Safra, esses fatores ajudaram a elevar a receita acima da projeção do banco.

“A forte performance da mídia e as menores despesas gerais compensaram a maior parte do aumento nos custos e provisões dos shoppings”, afirmam os analistas.

O Safra calculou que a receita ficou 6% acima de sua estimativa, enquanto o Ebitda superou a projeção em 5%. Excluída a venda do terreno, o FFO recorrente ainda teria ficado aproximadamente 4% acima do esperado pelo banco.

Vendas desaceleram, mas indicadores permanecem saudáveis

As vendas dos lojistas alcançaram R$ 10,5 bilhões. O crescimento anual ficou em 3,4%, segundo o Safra, enquanto as vendas por metro quadrado avançaram 4%.

As vendas nas mesmas lojas, ou SSS, cresceram 2,4%, desacelerando frente aos 7,1% registrados no 2T25. O desempenho foi afetado pelo descasamento da Páscoa entre os dois anos e pelos jogos da Copa do Mundo.

Sem o Shopping Tijuca, o SSS teria avançado 2,6%, enquanto as vendas totais cresceriam 4,6%. Os segmentos de conveniência, serviços e lazer apresentaram desempenho superior ao de roupas e calçados.

Os aluguéis nas mesmas lojas, ou SSR, aumentaram 3,2%. Excluído o Shopping Tijuca, a expansão chegou a 4,6%, representando crescimento real diante da variação negativa do IGP-M incorporada aos contratos.

A taxa de ocupação permaneceu em 96,2%. O custo de ocupação subiu 0,1 ponto percentual, para 10,3%, enquanto a inadimplência líquida recuou para 1,4%. Sem o Shopping Tijuca, o indicador ficou em 1,2%.

“Os indicadores operacionais resilientes, o crescimento das novas verticais de negócios e a disciplina na alocação de capital reforçam nossa visão positiva”, afirmam Ygor Altero e João Rodrigues, da XP.

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Shopping Tijuca ainda pressiona margem

O resultado operacional líquido dos shoppings, conhecido como NOI, cresceu 3,7%, para R$ 601,3 milhões. A margem NOI, entretanto, recuou 1,5 ponto percentual, para 91,8%.

As despesas dos empreendimentos aumentaram 37%, pressionadas por custos extraordinários e provisões relacionados ao Shopping Tijuca. Excluído esse ativo, a margem NOI teria ficado em 93%, apenas 0,3 ponto abaixo da registrada um ano antes.

O impacto foi parcialmente compensado pela redução de aproximadamente 6% nas despesas gerais e administrativas. A economia refletiu os ganhos de eficiência do programa de simplificação iniciado após a integração das empresas que formaram a Allos.

Com isso, a margem Ebitda ajustada ficou em 71,7%, recuo anual de 0,7 ponto percentual. A diluição também refletiu a maior participação da mídia, uma operação que apresenta margens menores que o negócio tradicional de shopping centers.

O Bradesco BBI considerou que a redução das despesas compensou o crescimento dos custos dos empreendimentos. O banco manteve recomendação de compra para ALOS3, apoiado na geração de caixa e nos múltiplos considerados atrativos.

FFO cresce, mas lucro tem efeito tributário

O FFO ajustado, indicador utilizado para acompanhar a geração de caixa das empresas do setor imobiliário, avançou 11,9%, para R$ 340,8 milhões. O resultado ficou 9% acima da projeção do Safra e 5% superior à estimativa da Genial.

O FFO por ação aumentou 12%, para R$ 0,68. A margem ficou praticamente estável em 46,5%, favorecida por um resultado financeiro melhor que o esperado e pela redução das despesas administrativas.

O lucro líquido atingiu R$ 294 milhões, crescimento anual de aproximadamente 57%. A Genial, contudo, destacou que o avanço foi explicado por um crédito de imposto diferido de R$ 134,3 milhões, sem efeito imediato no caixa.

O lucro antes dos impostos ficou praticamente estável em R$ 225,3 milhões. Ao excluir o crédito tributário, a venda do terreno e o adiantamento do seguro, a corretora calculou crescimento de 5,4% para o Ebitda e de 4% para o FFO.

Apesar dos ajustes, a Genial avaliou que o resultado recorrente continuou positivo. A casa manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 para ALOS3.

Alavancagem controlada sustenta visão positiva

A relação entre dívida líquida e Ebitda permaneceu em 1,7 vez, estável frente ao trimestre anterior. O custo médio da dívida recuou para CDI mais 0,57%, diante de CDI mais 0,75% um ano antes.

Os investimentos totalizaram R$ 89 milhões, queda anual de 23%, direcionados principalmente para manutenção, revitalizações e expansões. A companhia manteve suas projeções para Ebitda, investimentos e distribuição de recursos aos acionistas em 2026.

A Allos também prosseguiu com a reciclagem do portfólio, combinando desinvestimentos em ativos menos estratégicos com o aumento de participação em empreendimentos considerados prioritários.

O Safra manteve recomendação de desempenho superior para ALOS3 e preço-alvo de R$ 36. O valor representa potencial de valorização de 33% frente aos R$ 27 utilizados como referência no relatório.

Para o banco, a geração de caixa, a alavancagem controlada e a expectativa de um retorno com dividendos próximo de 13% em 2026 sustentam a recomendação, mesmo com a contribuição de efeitos pontuais para o desempenho do segundo trimestre.