A XP Investimentos elevou o preço-alvo da Weg (WEGE3) para R$ 52 por ação ao fim de 2027, mas manteve a recomendação neutra. O motivo é o descompasso entre investimento e receita.
A casa segue vendo uma tese de longo prazo atrativa, apoiada em eletrificação, transmissão e distribuição e nas expansões de capacidade em andamento. O calendário, porém, é outro.
A distância entre capacidade e receita
“Não esperamos que os investimentos adicionais se traduzam imediatamente em receitas, uma vez que o ramp-up da produção e os processos de homologação e ciclos de entrega normalmente levam tempo”, escreveram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, analistas da XP.
“Embora o crescimento deva de fato melhorar, acreditamos que a aceleração mais relevante permaneça como uma tese para 2027 e 2028”, apontaram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
O avanço deve sair de um dígito alto no primeiro semestre para dois dígitos no segundo, sustentado por bases de comparação mais fáceis, preços e pela contribuição inicial de Betim.
Margem estável e valuation esticado
Depois da rentabilidade acima do esperado no segundo trimestre de 2026, a XP projeta margem Ebitda ao redor de 22% no segundo semestre, caminhando para cerca de 23% nos anos seguintes.
“O carry-over de preços e a melhora da alavancagem operacional devem compensar amplamente os ventos contrários relacionados às tarifas”, calcularam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP.
Há espaço para revisão para cima. O segmento de equipamentos eletroeletrônicos industriais responde por cerca de 45% da receita e vem surpreendendo, com menos atenção do mercado que os negócios ligados a redes.
“Uma atividade de investimentos mais forte nos setores industrial, de infraestrutura e ligados a commodities poderia sustentar um crescimento mais rápido do que projetamos atualmente”, ponderaram os analistas.
O problema, na leitura da casa, é o que já está no preço. A ação negocia a cerca de 28 vezes o lucro estimado para 2027, com prêmio de 9% sobre os pares.
“Isso cria o risco de que o crescimento nos próximos trimestres fique abaixo de expectativas cada vez mais otimistas, mesmo que a tese de longo prazo permaneça intacta”, concluíram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.






