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Lojas Renner: entenda a queda de 11% das ações

Lojas Renner: entenda a queda de 11% das ações

Em relatório, a Ativa manteve a recomendação de compra para LREN3, com preço-alvo de R$ 18

As ações da Lojas Renner (LREN3) estão entre as principais quedas da Bolsa nesta sexta-feira (7), recuando cerca de 11%, após a companhia divulgar um resultado considerado fraco pela Ativa e revisar para baixo sua projeção de crescimento de receita para 2026. O desempenho do segundo trimestre mostrou pressão sobre as vendas em um ambiente de consumo mais difícil, enquanto o principal indicador de vendas mesmas lojas (SSS) ficou muito abaixo das expectativas.

Em relatório, a Ativa manteve a recomendação de compra para LREN3, com preço-alvo de R$ 18, mas destacou a frustração com o desempenho do chamado top line. A receita consolidada da companhia ficou praticamente estável na comparação anual, em R$ 4,2 bilhões, 4% abaixo da estimativa da casa.

O principal ponto de preocupação foi o SSS, que avançou apenas 0,5% no segundo trimestre, contra uma expectativa de crescimento de 5,4% da Ativa. O resultado também ficou bastante abaixo dos 17,3% registrados no mesmo período do ano anterior.

Diante do trimestre mais fraco, a Lojas Renner reduziu sua projeção de crescimento da receita para 2026. O guidance, que anteriormente indicava avanço entre 9% e 13%, passou para uma faixa de 4% a 8%.

Segundo a companhia, o cenário mais desafiador de consumo, além dos efeitos da Copa do Mundo sobre o fluxo das lojas e mudanças no perfil de consumo, contribuíram para o desempenho abaixo do esperado. A empresa também citou o maior engajamento dos consumidores com plataformas de apostas durante o período.

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Receita do varejo cresce pouco

A receita líquida do varejo alcançou R$ 3,7 bilhões no trimestre, alta de apenas 1,1% em relação ao 2T25 e abaixo dos R$ 3,9 bilhões projetados pela Ativa.

A marca Renner apresentou crescimento de 1,1%, afetada por uma base de comparação mais forte, pelos efeitos da Copa do Mundo e por impactos relacionados à substituição tributária em São Paulo.

Na Youcom, a receita avançou 1,4%, também pressionada pela base de comparação e pelo ambiente de consumo mais fraco. Já a Camicado teve crescimento praticamente nulo, de 0,2%, refletindo principalmente a piora do consumo em junho.

A companhia encerrou o trimestre com 723 lojas. No período, foram inauguradas duas lojas Renner, nove Youcom e três Camicado, enquanto cinco unidades foram encerradas e uma loja Ashua foi fechada.

O canal digital, por outro lado, apresentou desempenho mais positivo. O GMV cresceu 13,1% na comparação anual, para R$ 837,6 milhões, elevando a participação digital para 16,9% das vendas, avanço de 1,7 ponto percentual em um ano.

Margens permanecem saudáveis

Apesar da fraqueza nas vendas, a rentabilidade da operação mostrou resiliência.

A margem bruta consolidada ficou em 62,6%, alta de 0,1 ponto percentual em relação ao 2T25 e ligeiramente acima da estimativa da Ativa. No varejo, a margem bruta chegou a 57,5%, avanço de 0,4 ponto percentual.

A melhora foi atribuída principalmente ao desempenho comercial, com maior participação das vendas a preço cheio, maior reatividade da cadeia de suprimentos e um câmbio mais favorável. Entre as marcas, a margem da Renner cresceu 0,3 ponto percentual e a da Camicado avançou 2 pontos percentuais, enquanto a Youcom permaneceu estável.

O EBITDA do varejo somou R$ 791,2 milhões, alta de 2,3% na comparação anual, com margem de 21,4%, ante 21,2% no mesmo período do ano passado. A evolução foi sustentada pela melhora da margem bruta e pelo controle das despesas.

No consolidado, o EBITDA alcançou R$ 844,6 milhões, queda de 4,2% em relação ao 2T25 e 2,6% acima da projeção da Ativa. A margem EBITDA ficou em 20,1%, abaixo dos 21,2% registrados um ano antes, mas acima dos 18,8% esperados pela casa.

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Lucro fica estável

O lucro líquido da Lojas Renner ficou praticamente estável em R$ 404,6 milhões, ante R$ 404,5 milhões no 2T25. O número ficou 4% abaixo da estimativa da Ativa, de R$ 421,6 milhões.

A margem líquida permaneceu em 9,6%, praticamente estável na comparação anual.

Para a Ativa, o resultado mostra uma companhia capaz de preservar margens mesmo diante de um cenário de vendas mais difícil. O problema, porém, está no ritmo de crescimento da receita, especialmente considerando a forte base de comparação e a distância entre o desempenho do SSS e o esperado.

Segundo semestre será decisivo

Apesar do resultado abaixo das expectativas, a Lojas Renner aposta em uma recuperação no segundo semestre. A companhia espera se beneficiar de uma base de comparação mais favorável, além de reinaugurações de lojas, expansão da área de vendas e novas iniciativas comerciais e digitais.

Para a Ativa, entretanto, o segundo trimestre reforçou a necessidade de cautela. O principal problema foi o desempenho das vendas, com o SSS de apenas 0,5% mostrando uma desaceleração muito maior do que a esperada.

A revisão do guidance de crescimento da receita, de 9%-13% para 4%-8%, aumenta a pressão sobre a companhia e ajuda a explicar a forte reação dos investidores. Mesmo com margens ainda saudáveis e desempenho operacional relativamente resiliente, a combinação de consumo fraco, vendas abaixo do esperado e redução das projeções colocou as ações da Lojas Renner entre as principais quedas do mercado nesta sexta-feira, com recuo de aproximadamente 11%.

A Ativa, por sua vez, mantém uma visão construtiva para a ação no médio prazo, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 18,00, o que representa potencial de valorização em relação ao último preço de R$ 13,67 considerado no relatório.