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Investimentos em IA impulsionam lucros, mas elevam desafios para investidores

Investimentos em IA impulsionam lucros, mas elevam desafios para investidores

Análises da Franklin Templeton apontam oportunidades em ações e renda fixa diante do avanço da IA e de um cenário macro desafiador

Os mercados globais iniciaram 2026 divididos entre otimismo e cautela. De um lado, fundamentos corporativos consistentes e o avanço de investimentos em inteligência artificial (IA). De outro, inflação resistente, incertezas geopolíticas e dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos.

Análises recentes da Franklin Templeton indicam que, apesar da volatilidade, o ambiente segue fértil para investidores atentos, especialmente aqueles com foco em gestão ativa e horizonte de longo prazo.

Lucros sustentam mercado acionário

Segundo avaliação de Kate Lakin, da Putnam Investments, afiliada da Franklin Templeton, os fundamentos das empresas americanas permanecem sólidos. Após uma década de crescimento modesto no pós-crise de 2008, os lucros corporativos ganharam tração desde 2018.

No trimestre mais recente, o crescimento médio dos lucros foi de 13%, com a maioria das empresas superando expectativas. O índice S&P 500 ultrapassou os 7.000 pontos pela primeira vez, refletindo esse dinamismo.

Embora o múltiplo preço/lucro esteja acima da média histórica, parte relevante dessa elevação se concentra nas gigantes de tecnologia. Em uma análise com pesos iguais, as avaliações aparecem mais próximas dos padrões históricos, reforçando a tese de que a seleção de ações tende a ser determinante.

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IA: entusiasmo, dívida e incertezas

A inteligência artificial permanece no centro das decisões de investimento. Empresas de tecnologia ampliaram de forma significativa seus gastos em infraestrutura, com destaque para fabricantes de chips e desenvolvedores de modelos avançados.

A Nvidia é um exemplo de companhia impulsionada por essa onda. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o volume de dívida emitido para financiar tais investimentos e com os possíveis impactos sobre setores que podem perder espaço para a automação.

Para a Franklin Templeton, o verdadeiro potencial da IA vai além das empresas de tecnologia. Setores tradicionais, como transporte e serviços, podem capturar ganhos de eficiência relevantes. O desafio está em identificar quem conseguirá transformar investimento em lucro sustentável.

Inflação e política monetária no radar

No campo macroeconômico, a avaliação é de que a inflação deve permanecer acima da meta. Com crescimento robusto e mercado de trabalho estável, o ciclo de afrouxamento monetário do Federal Reserve pode ter chegado ao fim.

Além disso, o déficit fiscal americano projetado em torno de 6% do PIB e a dívida pública próxima de 100% do PIB representam riscos estruturais. Esse cenário pressiona o dólar e reforça a importância da diversificação internacional.

Mercados emergentes e Europa ganham espaço

A casa vê oportunidades relevantes em mercados emergentes, que adotaram políticas fiscais e monetárias mais prudentes nos últimos anos. Títulos soberanos desses países podem se beneficiar de um ambiente macroeconômico mais estável e de possível compressão de spreads.

A Europa também surge como aposta tática, impulsionada por investimentos em defesa e possíveis reformas estruturais. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a capacidade de transformação de longo prazo da região.

A revolução dos investimentos em IA pode criar vencedores e perdedores em ritmo acelerado. Em um ambiente não linear, marcado por ciclos de euforia e correção, a capacidade de avaliar fundamentos e precificação tende a ser o principal diferencial para gerar retorno consistente nos próximos anos.

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