Durante três anos consecutivos, a inteligência artificial (IA) foi o principal motor dos ganhos em bolsa. O S&P 500 acumulou retornos de dois dígitos e renovou máximas sucessivas, embalado pelo entusiasmo com a nova onda tecnológica. Mas, em 2026, o cenário começou a mudar.
Segundo análise da Charles Schwab, o chamado “AI trade” entrou em uma fase diferente. Setores tradicionalmente ligados à IA, como tecnologia da informação e serviços de comunicação, passaram a perder fôlego, enquanto energia, materiais, industriais e consumo básico avançaram. A pergunta que ecoa em Wall Street é direta: o boom da IA acabou ou apenas mudou de forma?
Do entusiasmo à rotação
O início da corrida foi marcado pela fase de criação. Grandes empresas investiram pesado no desenvolvimento de modelos de linguagem e infraestrutura de computação. Em seguida veio o efeito catalisador: a necessidade de data centers, energia, cobre, aço e construção civil.
Agora, o mercado parece viver a fase de “cascata”, quando os efeitos da IA se espalham pela economia. É o momento em que investidores tentam separar vencedores e perdedores.
Ao mesmo tempo, cresce o ceticismo. Pesquisas recentes mostram dúvidas sobre o impacto real da IA na vida cotidiana. A adoção corporativa desacelerou, e a pressão por regras mais claras aumentou. O ambiente, antes dominado pelo entusiasmo, passou a incluir cautela.
O papel do FOMO
Nesse contexto, o FOMO — fear of missing out, ou medo de ficar de fora — tem papel central. Muitos investidores entraram no setor para não perder a alta. O receio de assistir à valorização do lado de fora foi decisivo para inflar posições.
Agora, o movimento se inverte. O medo já não é apenas perder ganhos, mas investir tarde demais ou apostar na empresa errada. Manchetes sobre novas ferramentas de IA capazes de substituir modelos de negócios inteiros têm provocado vendas rápidas, especialmente em empresas de software.
A sensibilidade aumentou. Um relatório hipotético sobre crise no emprego global foi suficiente para abalar ações. Isso mostra que o mercado está atento, e nervoso.
Riscos reais ou exagero?
Há motivos concretos para cautela. As chamadas hyperscalers — gigantes de tecnologia — planejam investir centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA nos próximos anos. A dúvida é se o retorno justificará o gasto.
Existe também o risco de saturação. Ciclos de investimento costumam exagerar antes de esfriar. Monitorar a relação entre capex e receita tornou-se essencial.
Por outro lado, a IA promete ganhos de produtividade, automação e novos modelos de negócio. Empresas que incorporarem a tecnologia com eficiência podem ampliar margens e ganhar vantagem competitiva.
Como o investidor deve reagir?
Para a Charles Schwab, o momento pede análise fria. Avaliar exposição excessiva a tecnologia, acompanhar revisões de lucros fora das gigantes e observar sinais de pico no ciclo de investimento são passos importantes.
Mais do que decidir se a IA é “boa” ou “ruim”, trata-se de entender em que estágio estamos. O FOMO pode levar a decisões precipitadas, mas ignorar uma transformação estrutural também pode custar caro.
A inteligência artificial continua sendo uma força relevante. A diferença é que, agora, o mercado tenta distinguir promessa de realidade. Entre o medo de ficar de fora e o medo de perder dinheiro, o investidor precisa encontrar equilíbrio.
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