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FI-Infra: EQI Research recomenda oito fundos e elege o BDIF11 como favorito

FI-Infra: EQI Research recomenda oito fundos e elege o BDIF11 como favorito

Queda dos juros dos títulos atrelados ao IPCA e descontos elevados nas cotas sustentam a recomendação de compra para a classe

A EQI Research manteve a recomendação de compra para os oito fundos de investimento em infraestrutura (FI-Infra) que acompanha, mesmo com a forte alta dos prêmios de crédito do setor. O BDIF11, do BTG Pactual, segue como o preferido da casa.

O IDEX Infra Geral, índice da JGP que mede o spread das debêntures de infraestrutura sobre os títulos públicos, subiu de 31,95 pontos-base no fim de julho para 41,96 no fim de agosto. Em setembro, o movimento acelerou, e o indicador chegou a 65,90 pontos-base em 21 de setembro.

Spread maior significa papéis mais baratos no mercado e, portanto, pressão sobre o valor patrimonial dos fundos.

“Esse aumento dos spreads ocorre em um momento em que os investidores seguem cautelosos com o crédito privado, em meio a um cenário de juros elevados, que pressiona a saúde financeira dos emissores”, avalia João Zanott, analista da EQI Research.

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Juros reais em queda compensam

O outro lado da conta ajuda. As taxas dos títulos públicos atrelados ao IPCA seguem caindo, o que valoriza as carteiras dos fundos. O Tesouro IPCA+ 2032 recuou de IPCA+8% para IPCA+7,62% desde a última revisão.

Depois das quedas fortes do mês anterior, quando a EQI voltou a recomendar a classe, as cotas tiveram leve recuperação na bolsa. Ainda assim, a maioria segue abaixo do valor patrimonial.

“Os descontos das cotas em relação ao valor patrimonial dos ativos seguem expressivos, o que compensa o cenário desafiador relacionado à saúde financeira dos emissores”, pondera Zanott.

BDIF11 lidera a preferência

O BDIF11 tem perfil de crédito de risco médio e negocia a 0,88 vez o valor patrimonial (P/VP), o maior desconto entre os fundos cobertos. A EQI também mantém preferência pelos FI-Infras com carteiras atreladas ao IPCA.

“Esses níveis de preço implicam um retorno estimado de aproximadamente IPCA+14,0%, considerando o carrego das carteiras e os preços atuais das cotas”, calcula o analista.

No mês, a gestão do BTG aumentou a posição em Casan e fez pequenas compras de Energisa Sergipe e Energisa Paraíba. Do outro lado, reduziu Auren Energia e GNA I. O fundo pagou R$ 0,85 por cota, rendimento anualizado de 14,8% sobre o preço de mercado.

A EQI projeta dividend yield de 15,43% nos próximos 12 meses e recomenda compra até o preço-teto de R$ 83,90.

Tributação dos isentos

A possível mudança na tributação de produtos hoje isentos pode aumentar a procura por FI-Infras no curto prazo. A lógica é que investidores tentem antecipar compras, na expectativa de que a isenção seja preservada para quem já tem os ativos.

“Não recomendamos que decisões de investimento sejam tomadas exclusivamente com base nessa possibilidade, uma vez que a discussão deverá ocorrer apenas no próximo ano e ainda envolve elevado grau de incerteza”, alerta Zanott.

Confira a lista completa

FundoGestoraDividend yield esperadoP/VPPreço-teto (R$)
KDIF11Kinea13,75%0,96127,70
JURO11Sparta13,39%0,96107,40
BDIF11BTG Pactual15,43%0,8883,90
CPTI11Capitânia14,78%0,9497,60
IFRA11Itaú14,02%0,9498,40
BODB11Bocaina16,05%0,929,10
CDII11Sparta14,22%0,94105,40
IFRI11Itaú13,88%1,00103,60

Fonte: EQI Research, com preços de 18 de setembro de 2026

A maior alta do mês foi do JURO11, da Sparta, com 3,9%. A cota patrimonial fechou agosto em R$ 100,28, e a gestão voltou a pagar R$ 1,00 por cota, depois de zerar o rendimento em junho.

“A manutenção do patamar segue condicionada à preservação da cota patrimonial acima de R$ 100”, observa o relatório da EQI.

O fundo reduziu o caixa para 8% do patrimônio e contratou o BTG Pactual como segundo formador de mercado, desde 3 de setembro, para melhorar a liquidez das cotas. O CDII11, também da Sparta, fez o mesmo movimento, mas caiu 0,5% no período e pagou R$ 1,00 por cota.

No KDIF11, da Kinea, a cota subiu 1,2%, e o rendimento ficou em R$ 1,00, contra R$ 1,45 até junho. A Thopen Energia pediu recuperação judicial em agosto, e a gestão discute na Justiça, com outros credores, o tratamento das dívidas com garantia fiduciária.

O CPTI11, da Capitânia, tem o maior rendimento anualizado da lista, de 16,4%, com R$ 1,15 por cota. Em agosto, contudo, remarcações de crédito tiraram 1,30% da cota. O principal peso foi a Oxe Energia, termelétrica com custos acima do previsto e geração de caixa menor.

O IFRA11, do Itaú, ficou estável e cortou o rendimento de R$ 0,90 para R$ 0,85, por causa do IPCA mais baixo e de menos dias úteis no mês. A gestão vendeu R$ 33 milhões em papéis e investiu R$ 19 milhões em seis novos emissores, metade na Via Araucária, concessionária de rodovias do Paraná, a CDI+2%.

A maior queda foi do IFRI11, também do Itaú, com recuo de 1,6%. O fundo aplicou R$ 257 milhões em 46 emissores com os recursos da última oferta, incluindo R$ 11,6 milhões em debêntures da Prio a CDI+1,48%.

No BODB11, da Bocaina, a cota subiu 2,7%, e a EQI projeta o maior dividend yield da cobertura, de 16,05%. A gestão reduziu R$ 750 mil em TUPW11 e saiu do COMR11 para diminuir a exposição a energia renovável.