A grife italiana Ferragamo (BIT: SFER) registrou queda de 3,5% nas vendas no terceiro trimestre de 2026, considerando taxas de câmbio constantes. A receita atingiu € 207 milhões, abaixo dos € 209,6 milhões estimados por analistas consultados pela Equita.
Os resultados foram divulgados na terça-feira (20) e refletem um período de consumo enfraquecido em alguns dos principais mercados da companhia. O recuo foi concentrado nas operações de atacado, cujas vendas diminuíram 19,1% na comparação anual.
Segundo a Reuters, a Ferragamo atribuiu parte desse desempenho à reorganização de seus canais de distribuição, com prioridade para as vendas diretas ao consumidor e para contas comerciais selecionadas.
Vendas no atacado caem 19,1%
A redução das operações de atacado faz parte da estratégia da Ferragamo de concentrar suas vendas nos canais próprios. A mudança diminui a participação de distribuidores independentes e amplia a atuação direta da empresa no relacionamento com os consumidores.
No terceiro trimestre, enquanto o atacado apresentou retração de 19,1%, as vendas diretas permaneceram estáveis em relação ao mesmo período de 2025.
Até 30 de setembro, o canal direto ao consumidor, conhecido pela sigla DTC (direct-to-consumer), representava 79,5% das vendas totais da companhia.
A distribuição por canais próprios permite à grife administrar diretamente a apresentação das coleções, os preços e o atendimento nas lojas. A redução do atacado, entretanto, tem impacto sobre a receita durante o processo de reorganização comercial.
Ásia-Pacífico registra a maior queda nas vendas
O desempenho da Ferragamo variou entre os mercados internacionais no terceiro trimestre.
Na região da Ásia-Pacífico, as vendas recuaram 11,1%, a maior retração percentual entre as áreas geográficas informadas pela companhia. Europa, Oriente Médio e África, agrupados na região EMEA, registraram queda de 5,2%.
A América do Norte apresentou resultado positivo, com crescimento de 2,4% nas vendas, considerando taxas de câmbio constantes.
Em comunicado sobre os resultados, a Ferragamo apontou as tensões geopolíticas e a fraqueza do consumo durante o verão no Hemisfério Norte como fatores que afetaram o ambiente de negócios.
As diferenças regionais também aparecem nos números consolidados da empresa, que mantém operações em mercados com condições distintas de consumo.
Ferragamo concentra quase 80% das vendas no canal direto
A participação de 79,5% das vendas diretas no total registrado até setembro mostra a importância desse canal para a receita da Ferragamo.
A companhia vem direcionando sua distribuição para lojas próprias e contas comerciais selecionadas, reduzindo gradualmente sua exposição ao atacado.
No setor de luxo, as operações diretas permitem acompanhar o relacionamento com os clientes desde a apresentação dos produtos até a experiência de compra. Para marcas de moda e acessórios, esse modelo também facilita a gestão da distribuição das coleções.
No caso da Ferragamo, os dados do terceiro trimestre mostram que a estabilidade do canal direto ainda não foi suficiente para compensar a redução das vendas realizadas por intermediários.
O que os resultados representam para quem investe no exterior?
Com ações negociadas na Bolsa de Milão sob o código SFER, a Ferragamo integra o grupo de companhias internacionais do setor de luxo acompanhadas por investidores interessados no mercado europeu.
Os resultados trimestrais apresentam três indicadores para a análise do negócio: a redução das vendas no atacado, a estabilidade do canal direto e as diferenças de desempenho entre as regiões.
A retração de 11,1% na Ásia-Pacífico também coloca o comportamento do consumo na região entre os pontos a serem acompanhados nos próximos balanços.
Para investidores, a evolução da receita nos canais próprios permitirá observar os efeitos da reorganização comercial sobre o faturamento da companhia.
A Ferragamo encerrou o trimestre com € 207 milhões em receita e mantém a estratégia de priorizar as vendas diretas, enquanto enfrenta um ambiente de consumo enfraquecido em parte de seus mercados internacionais.
Leia também:
- Mulberry cresce 18% e aposta em bolsas icônicas para reconquistar o mercado de luxo
- LVMH decepciona no 3T26 e acende alerta para o mercado de luxo
- “Luxo não é indústria”: a leitura de Carlos Ferreirinha sobre o novo ciclo do mercado
- Mercado de luxo de segunda mão cresce no mundo: autenticação se torna fundamental
- Mercado de luxo no Brasil cresce 12% ao ano






