A Caixa Seguridade (CXSE3) deve compensar a queda das receitas financeiras provocada pela redução dos juros com o fortalecimento das operações em 2027, segundo relatório do BTG Pactual assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
Após reunião com o CFO da companhia, Edgar Soares, e a equipe de Relações com Investidores, os analistas mantiveram uma visão positiva para o negócio. O banco vê poucas mudanças nas perspectivas para 2026 e considera que o crescimento dos segmentos de previdência e seguro habitacional deve sustentar os resultados.
Para o terceiro trimestre de 2026, o BTG projeta avanço de 2% no resultado em relação ao trimestre anterior. A estimativa de lucro líquido anual de R$ 4,7 bilhões também é considerada bem consolidada.
Queda dos juros deve ser compensada
A redução da Selic deve pressionar as receitas financeiras da Caixa Seguridade em 2027. Cerca de 40% da carteira de investimentos da companhia está atrelada a taxas variáveis, e uma queda de 1 ponto percentual nos juros pode reduzir o resultado entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.
As receitas financeiras representam atualmente cerca de 34% dos resultados, acima da média histórica inferior a 30%. Mesmo com a normalização dessa participação, o BTG avalia que o fortalecimento operacional deve compensar a pressão.
A expectativa também considera a manutenção do ritmo de concessão de crédito imobiliário pela Caixa Econômica Federal. O cenário pode favorecer os seguros habitacionais e contribuir para a continuidade do crescimento dos prêmios.
Previdência e seguros sustentam resultados
O segmento de previdência vem ganhando participação de mercado, impulsionado por iniciativas como cashback de IOF e portabilidade de planos. O crescimento das reservas acima da média do mercado e do CDI também tem ampliado as receitas com taxas de administração.
No seguro habitacional, a expectativa é de crescimento de dois dígitos nos prêmios emitidos em 2026. O desempenho acompanha a expansão das operações de crédito imobiliário e reforça as perspectivas para os negócios da companhia.
Já os seguros de vida vinculados ao crédito enfrentam dificuldades devido aos custos elevados de financiamento, à redução da base de clientes elegíveis e às restrições na oferta de produtos. Segundo o BTG, uma queda dos juros pode abrir espaço para crescimento de dois dígitos nos prêmios desse segmento em 2027.
Fim de parceria terá impacto limitado
O encerramento do acordo de distribuição exclusiva entre o Banco Pan e a Too Seguros deve gerar uma multa rescisória estimada em R$ 750 milhões. Para a Caixa Seguridade, o impacto não recorrente no lucro líquido está estimado em R$ 210 milhões no quarto trimestre de 2026.
Após uma fase de transição, a carteira da Too Seguros entrará em processo de redução gradual. Cerca de 70% dos prêmios estão ligados ao acordo com o Banco Pan, com duração de dois a três anos, enquanto o restante vem de uma carteira de seguros habitacionais que já está em fase de encerramento.
Apesar da redução futura dos resultados da Too, o BTG estima que a perda de valor presente líquido represente menos de 1% do valor de mercado da Caixa Seguridade. A ampliação da participação da companhia na originação de seguros habitacionais desde agosto de 2025 também ajudou a compensar o impacto.
Greve deve afetar vendas temporariamente
A greve na Caixa Econômica Federal durante parte de setembro prejudicou as operações no terceiro trimestre. A administração, porém, espera que o principal efeito seja o adiamento de vendas e do processamento de contratos, com recuperação no quarto trimestre.
Os segmentos de seguros residenciais, de vida, prestamistas e consórcios devem registrar impactos moderados. O endividamento das famílias continua pressionando o valor médio dos prêmios de seguros de vida, enquanto os índices de sinistralidade devem permanecer próximos aos do trimestre anterior.
BTG mantém preferência pela companhia
O BTG considera a Caixa Seguridade uma empresa com elevada capacidade de geração de valor. Desde seu IPO, a companhia registra retorno total anualizado de 24%, segundo o relatório.
A previsibilidade dos resultados, a exposição ao crédito imobiliário, os contratos de longa duração e a distribuição de dividendos sustentam a visão positiva dos analistas. O banco mantém preferência pela Caixa Seguridade em relação à BB Seguridade e considera justificado o prêmio de avaliação da companhia.
O relatório ressalta, contudo, que uma eventual vitória da oposição nas eleições poderia favorecer ativos de maior sensibilidade ao mercado, especialmente empresas ligadas ao mercado de capitais, em detrimento das seguradoras.






