O Bitcoin hoje (21) operava a US$ 83.783,13 por volta das 11h10, com alta de 1,02% no dia. Nas últimas 24 horas, a valorização se aproximava de 2%, permitindo que a criptomoeda recuperasse a região dos US$ 82 mil, considerada o principal suporte de curto prazo.
A reação ocorreu depois de o BTC cair para perto de US$ 81 mil na sessão anterior, pressionado pelo petróleo acima de US$ 110 e pela piora das bolsas internacionais.
O ambiente externo apresentava melhora nesta quarta-feira, especialmente entre as empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial. Os resultados corporativos positivos nos Estados Unidos recuperaram parte do apetite por ativos de maior risco e também beneficiaram o mercado de criptomoedas.
Para Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, a manutenção da recuperação dependerá agora da capacidade do BTC de permanecer acima do suporte retomado.
“Para o BTC, o próximo passo é confirmar a manutenção acima dos US$ 82 mil. A primeira resistência está nos US$ 85 mil, seguida pelos US$ 87 mil e, em um movimento mais forte, pela média móvel de 100 semanas próxima de US$ 88,5 mil”, afirmou.
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Caso o Bitcoin volte a perder os US$ 82 mil, as regiões dos US$ 80 mil e dos US$ 77 mil aparecem como os próximos suportes relevantes.
Tecnologia e IA recuperam apetite por risco
A melhora do mercado acompanhava a repercussão dos resultados trimestrais da SpaceX (SPCX; SPCX34). A companhia registrou lucro líquido de US$ 4,4 bilhões no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo do mesmo período do ano anterior. A receita alcançou aproximadamente US$ 14,6 bilhões, com contribuição crescente dos negócios ligados à inteligência artificial.
O desempenho ajudou as bolsas americanas a abrirem em alta. O Nasdaq, índice com forte presença de empresas de tecnologia, avançava cerca de 0,7% no início do pregão.
O otimismo também alcançava projetos de criptomoedas ligados à narrativa de inteligência artificial. A Near Protocol (NEAR), por exemplo, acumulava valorização superior a 11% em 24 horas, segundo os dados reunidos pelo Mercado Bitcoin.
A relação entre o Bitcoin e o setor de tecnologia ocorre principalmente pela disposição dos investidores para assumir risco. Quando as ações de crescimento avançam e a procura por ativos mais voláteis aumenta, o mercado cripto tende a encontrar um ambiente mais favorável. Essa associação, porém, pode mudar rapidamente diante de dados de inflação, juros ou novos episódios geopolíticos.
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Solana ativa Alpenglow e tokenização ganha espaço
Além da recuperação do Bitcoin, o mercado acompanhava a ativação do Alpenglow na rede principal da Solana. A atualização representa a maior mudança no mecanismo de consenso da blockchain desde 2020.
Segundo a Solana Foundation, o Alpenglow pretende reduzir o tempo de finalidade das transações dos atuais 12,8 segundos para aproximadamente 150 milissegundos. A finalidade representa o momento no qual uma transação pode ser considerada definitivamente confirmada pela rede.
A redução pode melhorar a experiência em pagamentos, negociações e aplicações financeiras que dependem de respostas rápidas. A atualização também modifica a forma como os validadores chegam a um consenso, retirando parte das votações de dentro dos blocos.
Outro tema acompanhado pelo mercado é o avanço da tokenização. Uma pesquisa do Citi mencionada na análise do Mercado Bitcoin destaca a possibilidade de ativos tokenizados serem usados imediatamente como garantia em operações de crédito.
Nesse cenário, protocolos como a Aave podem ampliar sua atuação para além dos empréstimos com criptomoedas. Projetos como Aave V4, Horizon e a stablecoin GHO buscam conectar ativos, garantias e liquidez em uma mesma infraestrutura financeira digital.
A discussão ocorre em um ambiente de endividamento elevado nas principais economias. O Fundo Monetário Internacional estima que a dívida bruta média das economias avançadas esteja em torno de 108,2% do PIB, enquanto a proporção dos Estados Unidos alcança 125,8%.
“Quanto maior esse endividamento, mais difícil fica estabilizar as contas públicas sem combinar crescimento, cortes de gastos, aumento de impostos ou inflação. É justamente nesse ambiente que ativos escassos ganham relevância”, explicou Fontes.
Essa leitura sustenta a tese do Bitcoin como uma espécie de ouro digital. Diferentemente das moedas emitidas pelos governos, a criptomoeda possui uma oferta máxima programada de 21 milhões de unidades. No curto prazo, entretanto, o comportamento do preço continuará condicionado à manutenção dos US$ 82 mil e à capacidade de superar a resistência dos US$ 85 mil.





