A EssilorLuxottica (EPA: EL), fabricante das marcas Ray-Ban e Oakley, registrou receita de € 7,49 bilhões no terceiro trimestre de 2026, acima dos € 7,36 bilhões esperados por analistas. O resultado levou as ações da companhia franco-italiana a subirem cerca de 14% na manhã desta quarta-feira (21), na Bolsa de Paris.
Os papéis lideravam os ganhos do índice francês CAC 40 e caminhavam para registrar a maior valorização diária desde 2008, segundo a Reuters.
O desempenho foi sustentado principalmente pelas operações tradicionais de óculos e lentes, em um trimestre marcado pela desaceleração no ritmo de crescimento dos modelos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Meta.
Vendas de óculos tradicionais impulsionam resultados
A demanda por óculos convencionais foi o principal motor de crescimento da EssilorLuxottica no trimestre, enquanto parte das expectativas do mercado estava concentrada no desenvolvimento de dispositivos com inteligência artificial.
A companhia reúne marcas como Ray-Ban e Oakley e atua tanto no segmento de acessórios de moda quanto na produção de lentes e equipamentos ópticos.
O crescimento dessas operações contribuiu para reduzir as preocupações dos investidores com o desempenho dos óculos inteligentes, segmento que vinha recebendo atenção por seu potencial de expansão e pela entrada de novas empresas de tecnologia.
Vendas de Ray-Ban Meta desaceleram no trimestre
Os óculos Ray-Ban Meta continuam entre os produtos desenvolvidos pela EssilorLuxottica em sua parceria com a empresa de tecnologia. No entanto, o ritmo de crescimento das vendas foi inferior ao registrado no início do ano.
A fabricante também passou a divulgar separadamente a receita de sua divisão de dispositivos vestíveis, os chamados wearables. A unidade inclui os óculos com inteligência artificial e os aparelhos auditivos Nuance.
A mudança permite acompanhar os resultados dessa operação de forma individualizada, em meio ao aumento da concorrência no setor.
Entre os novos participantes está o Google, da Alphabet, que prevê lançar óculos equipados com a inteligência artificial Gemini até o fim de 2026.
Analistas da Bernstein observaram que a concorrência dos dispositivos inteligentes com os óculos tradicionais continuará sendo uma questão para a EssilorLuxottica. O banco também apontou que a base de comparação mais elevada do ano anterior ajuda a explicar a cautela em relação às expectativas para o quarto trimestre.
Ações da EssilorLuxottica reagem após período de queda
A alta registrada nesta quarta-feira ocorre após um período de desvalorização das ações da companhia.

Segundo a Reuters, os papéis haviam perdido quase metade de seu valor desde que a EssilorLuxottica alcançou uma capitalização de mercado recorde de € 149 bilhões, aproximadamente um ano antes.
Entre os fatores citados por analistas para explicar a queda estavam preocupações com governança corporativa, privacidade dos usuários de óculos inteligentes e expectativas de vendas desses dispositivos.
Após a divulgação do balanço, analistas do RBC avaliaram que as ações estavam sendo negociadas a preços atrativos e destacaram as características defensivas do negócio diante das dificuldades enfrentadas pelo setor de consumo.
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