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Consumo de luxo nos EUA cai 6% e acende alerta para grandes grifes

Consumo de luxo nos EUA cai 6% e acende alerta para grandes grifes

Gastos com artigos de luxo recuam pelo terceiro mês consecutivo, enquanto joias e relógios também sentem os efeitos da desaceleração do consumo americano

O apetite dos americanos por artigos de luxo voltou a diminuir em setembro, ampliando os desafios enfrentados pelas grandes grifes internacionais. Segundo dados de transações com cartões de crédito divulgados pelo Citi e publicados pela Reuters, os gastos com marcas de luxo nos Estados Unidos caíram 6% em relação ao mesmo período do ano passado, marcando o terceiro mês consecutivo de retração.

O resultado representa uma piora em relação a julho e agosto, quando o recuo havia sido de 4% em cada mês. A sequência negativa preocupa um setor que apostava no poder de compra dos consumidores americanos para compensar a demanda enfraquecida na China e recuperar o crescimento após um período prolongado de dificuldades.

A desaceleração acontece em um momento curioso para o mercado de luxo. Apesar da contínua criação de riqueza entre os americanos de alta renda, impulsionada também pelo avanço da inteligência artificial e pelo surgimento de novos milionários, esse movimento ainda não se traduz em uma recuperação generalizada das compras de produtos de alto padrão.

Joias e relógios também perdem espaço nas compras de luxo

A mudança no comportamento do consumidor americano não está restrita às roupas e aos acessórios de grife. Os dados do Citi revelam que os gastos com relógios e joias de luxo apresentaram uma deterioração adicional em setembro, contrariando a percepção de que determinadas categorias estariam mais protegidas da desaceleração do setor.

Por outro lado, artigos de couro, como bolsas e acessórios, e peças de vestuário registraram uma melhora sequencial no período. O movimento, entretanto, não foi suficiente para reverter a queda geral dos gastos com luxo no país.

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A diferença entre as categorias também chama atenção para as estratégias de preços adotadas pelas marcas. De acordo com o Citi, empresas de luxo mais acessível, que comercializam roupas, sapatos e artigos de couro, realizaram reajustes de poucos pontos percentuais neste ano. Já fabricantes de relógios e joias elevaram seus preços entre 1% e 5%.

Os números mostram que até mesmo categorias tradicionalmente associadas à exclusividade e à compra de produtos de alto valor estão sujeitas às mudanças no ritmo de consumo.

Grandes grifes enfrentam um cenário de incertezas

A desaceleração americana coloca pressão sobre alguns dos principais nomes da indústria internacional do luxo. Entre as empresas com maior exposição ao mercado dos Estados Unidos estão a Tapestry, proprietária da Coach e da Kate Spade, o conglomerado francês LVMH (LVMH), responsável por marcas como Louis Vuitton e Tiffany & Co., e a italiana Ferragamo.

Para esses grupos, o comportamento dos consumidores americanos ganhou importância especial diante das dificuldades enfrentadas pelo setor na China. Com a demanda enfraquecida em dois mercados estratégicos, a recuperação das vendas se torna um desafio ainda maior.

Apesar do cenário, os consumidores de patrimônio elevado continuam representando uma parcela relativamente resistente do mercado, beneficiada pela valorização dos investimentos no mercado de ações. Essa sustentação, porém, não tem sido suficiente para impulsionar o desempenho geral do luxo nos Estados Unidos.

Eleições americanas e cautela influenciam o consumo

A queda nos gastos ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026. O período eleitoral adiciona incertezas ao ambiente econômico e pode influenciar decisões de compra, especialmente no segmento de produtos de alto valor.

Pesquisas do Conference Board e da Universidade de Michigan já apontavam uma preocupação crescente dos consumidores com os rumos da economia americana. Ao mesmo tempo, o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro e das taxas de financiamento imobiliário pode contribuir para reduzir o ritmo da atividade econômica.

Nesse contexto, compras de caráter discricionário, como bolsas de grife, relógios e joias, ficam mais expostas à cautela dos consumidores.

Outubro será decisivo para o mercado de luxo

Os próximos balanços financeiros das grandes marcas devem ajudar a dimensionar a desaceleração do consumo de luxo nos Estados Unidos.

A LVMH tem divulgação de vendas do terceiro trimestre prevista para 12 de outubro, enquanto a Kering, proprietária da Gucci, deve apresentar seus resultados em 22 de outubro. As duas empresas serão acompanhadas de perto por investidores e analistas em busca de sinais sobre o comportamento do consumidor e as perspectivas de recuperação do setor.

Em setembro, analistas do Morgan Stanley já haviam alertado que a redução dos gastos americanos deixava as marcas com pouca margem para retomar o crescimento, após dois anos consecutivos de contração.

O desempenho de setembro reforça uma preocupação central para a indústria: a recuperação do mercado de luxo depende de uma retomada consistente da demanda em seus principais mercados. Enquanto isso não acontece, até as grandes grifes precisam lidar com consumidores cada vez mais cautelosos em suas decisões de compra.

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