A EQI Research incluiu as debêntures da Petrobras na carteira Mais Renda Fixa e atribuiu recomendação de compra para as três séries em circulação, com taxas que vão de IPCA+ 6,39% a IPCA+ 6,84%.
A análise de crédito, assinada pelo analista João Abdouni, deu à estatal uma nota proprietária de 77% e Rating Br.AAA, sustentados pela escala das operações no pré-sal, pela geração de caixa elevada e pela relevância estratégica da companhia para a economia brasileira.
As três séries cobertas pelo relatório têm prazos diferentes e atendem investidores com horizontes distintos:
- A PETR18, da primeira emissão, tem nove anos e paga IPCA+ 6,39%;
- A PETR28, da segunda emissão, tem 14 anos e remunera o investidor a IPCA+ 6,65%;
- A PETR38, da terceira emissão, é a mais longa, com 19 anos de prazo e taxa de IPCA+ 6,84%.
As três contam com isenção de Imposto de Renda para pessoa física.
Petróleo sustenta tese
As tensões no Oriente Médio, com destaque para os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, reduziram a oferta global no início de 2026 e empurraram a cotação do Brent para a faixa de US$ 100 a US$ 105 por barril, patamar bastante acima do nível de equilíbrio estimado entre US$ 65 e US$ 70 por barril.
Para a Petrobras, que tem custo de extração estimado em US$ 9 por barril, o cenário é particularmente vantajoso.
Os números operacionais do primeiro trimestre de 2026 reforçam a leitura positiva. A produção comercial alcançou 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 15,9% na comparação anual, com os campos de Búzios e Mero registrando recordes históricos.
O preço médio realizado pela companhia foi de US$ 80,61 por barril, alta de 6,5% em base anual, e parte relevante do impacto da alta recente do Brent ainda deve aparecer nos resultados do segundo trimestre, por conta da defasagem natural na precificação dos contratos com a Ásia.
“Mantemos uma visão positiva em relação ao crédito da companhia. Com o cenário favorável para o petróleo e a forte geração de caixa esperada para os próximos anos, estimamos que a empresa deverá gerar recursos suficientes para honrar os pagamentos de seus financiamentos”, escreve Abdouni no relatório.
Três cenários no radar
A análise de crédito monta três projeções para o emissor até 2028. No cenário base, considerado o mais provável, a Petrobras manteria a alavancagem entre 1,0x e 1,5x dívida líquida sobre Ebitda, com receita líquida saltando dos R$ 497,5 bilhões registrados em 2025 para R$ 578,8 bilhões em 2026, e Ebitda projetado em R$ 293,4 bilhões no mesmo período. A relação dívida líquida sobre Ebitda recuaria para 1,03x já no primeiro ano da projeção.
No cenário intermediário, o relatório considera um Brent retornando de forma mais acelerada para a faixa de US$ 68 por barril, sem avanços relevantes no volume de produção. Mesmo assim, a alavancagem se manteria entre 1,2x e 1,4x, ainda em patamar administrável.
Já no terceiro cenário, mais adverso, com o petróleo entre US$ 50 e US$ 60 por barril por período prolongado, a alavancagem subiria para o intervalo de 1,4x a 1,8x, com a empresa enfrentando maior dificuldade no refinanciamento.
“Mesmo nesse cenário mais conservador, não enxergamos, neste momento, uma deterioração significativa do perfil de crédito da Petrobras”, afirma Abdouni, ao avaliar a hipótese mais pessimista.
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Alavancagem em 1,43x
A fotografia atual do endividamento conforta a tese. A dívida líquida da Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 324 bilhões, alta de apenas 0,9% em base anual, com a relação dívida líquida sobre Ebitda em 1,43x, em linha com o trimestre equivalente do ano anterior.
O cronograma de amortização é considerado saudável, com caixa suficiente para honrar os compromissos financeiros até 2027 e vencimentos distribuídos ao longo da próxima década.
O Ebitda do primeiro trimestre somou R$ 59 bilhões, com queda de 2,4% na comparação anual, e o lucro líquido foi de R$ 32,76 bilhões, recuo de 7,2%.
A EQI Research, no entanto, estima que cerca de R$ 10,65 bilhões em receitas ainda devem ser reconhecidos nos próximos trimestres, com potencial de adicionar cerca de R$ 7 bilhões ao lucro do segundo trimestre, pelo efeito retardado da alta do Brent sobre os contratos de exportação para a Ásia.
A nota proprietária de 77% se decompõe em três blocos. Risco financeiro recebe 79%, com endividamento e alavancagem em 88% e liquidez em 62%. Qualidade e modelo de negócio ficam em 64%, com rentabilidade em 66% e qualidade do negócio em 63%. Ratings e garantias recebem 85%, com o rating da emissão pontuado em 100% e as garantias atreladas ao crédito em 70%.
O plano de investimentos da estatal é o ponto que exige acompanhamento. O capex líquido de 2025 totalizou R$ 107,3 bilhões, alta de 45% em relação ao ano anterior, e a expectativa é de investimentos anuais em torno de R$ 100 bilhões para os próximos anos. Cerca de 77% do montante de 2026 será direcionado para extração e produção, segmento em que a Petrobras tem histórico de retornos elevados, com a Margem Equatorial despontando como nova fronteira exploratória a partir de 2030.
“A qualidade de seus ativos, com destaque para a produção no pré-sal, continua sustentando níveis robustos de rentabilidade e geração de caixa. Além disso, o potencial avanço exploratório na Margem Equatorial pode representar um importante alavanca de crescimento para a empresa nos próximos anos”, conclui o relatório.
A análise completa das debêntures da Petrobras (PETR), com a decomposição da nota de crédito, os três cenários projetados pelo analista João Abdouni até 2028 e a lista atualizada de papéis da carteira Mais Renda Fixa da EQI Research, está disponível para download gratuito.
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