A nova Ideia de Trade da EQI Research, assinada pelo analista Nicolas Merola coloca dois grandes bancos brasileiros em lados opostos, recomendando a compra de Bradesco (BBDC4) e a venda de Santander (SANB11).
A análise parte da última temporada de balanços dos bancos, marcada menos por lucros recordes e mais por sinais de que o ciclo de crédito começou a pesar de forma mais clara sobre o setor.
Para Merola, esse risco deixou de ser apenas uma preocupação futura e já apareceu nos números das instituições financeiras.
O ponto central da tese
O relatório da EQI Research destaca que a deterioração do crédito apareceu de forma disseminada nos bancos, o que reforça a importância de selecionar melhor as teses dentro do setor. É nesse contexto que Merola propõe a operação envolvendo Bradesco e Santander.
“Em minha visão, esse risco se concretizou. Em todos os resultados, algum nível de deterioração pôde ser notado. O que denota que o ciclo de aperto monetário já está sim gerando grandes impactos na economia real”, afirma Merola.
No caso do Bradesco, o analista mantém uma visão mais construtiva pela combinação entre melhora gradual e valuation. A avaliação é de que o banco ainda precisa avançar em ajustes internos, mas já vem apresentando uma trajetória de recuperação que sustenta a posição comprada na operação.
“Por algumas vezes já explorei aqui a tese de Bradesco de melhoria paulatina e contínua. Essa melhoria, por mais que venha acontecendo, vem sendo feita de forma cautelosa, em parte por conta do cenário que nos encontramos, em parte por melhorias e evoluções que ainda precisam acontecer dentro da instituição”, diz Merola.
Mesmo com essa cautela, a tese segue apoiada na percepção de que o Bradesco negocia em patamar ainda atrativo. No relatório, o analista cita a precificação próxima de 1 vez preço sobre valor patrimonial e cerca de 10 vezes preço sobre lucro corrente como fatores que ajudam a manter a recomendação relativa.
Santander em transição
Do outro lado da operação está o Santander. Para a EQI Research, o banco passa por um momento mais delicado, com mudanças relevantes na liderança e uma estratégia de ajuste da carteira de crédito que ainda enfrenta desafios de execução.
O primeiro trimestre de 2026 (1T26) marcou o último resultado apresentado pelo então CEO Mauro Leão e também o primeiro do novo CFO, Carlos Muñiz González-Blanch. Para Merola, a troca em duas posições relevantes não significa, necessariamente, uma piora da tese, mas coloca um componente de risco.
“Isso é necessariamente ruim? Não. Tudo vai depender como a nova gestão integrará o atual grupo e, principalmente, direcionará a companhia a partir de agora. Entretanto, isso representa um fator de risco que, alinhado com o momento da instituição, me inclina a desfavorecê-lo em relação aos pares do setor”, afirma o analista.
A análise também chama atenção para a tentativa do Santander de reduzir exposição a clientes de renda mais baixa e concentrar esforços em segmentos de maior renda. O movimento segue uma lógica vista em parte do setor, mas, na avaliação da EQI Research, a velocidade de avanço ainda parece limitada.
O relatório destaca que a carteira de crédito do Santander cresceu apenas 3,4% em base anual e recuou na comparação trimestral. Na pessoa física, houve queda de 1,1% em 12 meses e de 1,3% frente ao trimestre anterior.
“Não acho que esse direcionamento está incorreto, até porque é algo que o setor como um todo está fazendo, inclusive o Bradesco, mas entendo que a velocidade no qual a instituição está conseguindo avançar nessa agenda é baixa e, para poder acelerar, pode ter de sacrificar seu resultado”, avalia Merola.
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Relatório completo
A tese completa, com os detalhes da operação, riscos, racional de entrada e visão completa da EQI Research, está disponível no app da EQI+.
Para acessar a análise completa de Nicolas Merola, entre no app da EQI+ e leia o relatório Ideias de Trade: Bradesco x Santander.






