Home
Artigos
EQI Research
A gente tem medo do quê?
Oferecido porEQI Research

A gente tem medo do quê?

Quanto maiores os ruídos, maiores as chances de decisões erradas e com consequências negativas para o portfólio
Reprodução The Economist
Reprodução The Economist

A charge acima, da revista The Economist, reflete bem como funciona um mercado baseado no ruído, em que qualquer boato, qualquer assunto gera uma ação desordenada de investimento. E, quanto maiores os ruídos, maiores as chances de decisões erradas e com consequências negativas para o portfólio. Até que o personagem central da charge decide sair de cena.

Seria essa a melhor decisão mesmo? O mundo hoje parece cheio de ruídos, notícias urgentes, crises iminentes ou infindáveis. E a vontade que dá é mesmo de sair de cena. Mas, como diz o ditado chinês, o anagrama de crise é igual ao de oportunidade.

Por isso, faço aqui um convite para você entender junto comigo como estamos interpretando o cenário macro e o mercado, para poder tomar as melhores decisões de investimento – e não sair de cena.

Cenário global

A maior fonte de incertezas tem sido o cenário internacional. Troca de governo na Venezuela, ataques ao Irã, guerra contínua na Ucrânia. Será que a Groenlândia vai ser anexada? Esses são todos ruídos. Os sinais são mais suaves.

A realidade é que os EUA estão em uma disputa por hegemonia com a China, ou seja, as duas grandes potências mundiais estão em competição, e não em colaboração. Isso quer dizer que o mundo caminha para uma 3ª Guerra Mundial? Não. Significa que placas tectônicas geopolíticas estão se movendo.

Publicidade
Publicidade

Você não precisa adivinhar os próximos movimentos. E sim estar com uma alocação adequada.

Assim, entro em nosso primeiro tema, a diversificação. Desde o início de 2025, estamos recomendando que as alocações internacionais sejam reforçadas, especialmente com o movimento recente de apreciação do real. Além disso, não estamos falando de dolarização pura, mas internacionalização, que significa diversificar os investimentos em outros países.

Uma exposição maior em Europa, Japão e outros emergentes faz sentido, tanto em renda variável quanto em renda fixa. Ter proteções, como o ouro, também vai te ajudar a não dar tanto peso aos ruídos e ter paciência e calma para entender os sinais. Para 2026 em diante, essas recomendações continuam válidas e atraentes em termos de preços. Ou seja, diversificar e proteger nunca foi tão importante.

Você já fez isso hoje com a sua carteira?

Leia também:

Cenário doméstico

Essa diversificação mencionada tem sido adotada inclusive por investidores estrangeiros, vide a performance relativa dos ativos fora dos EUA. E o Brasil se beneficia atraindo capitais, levando a uma apreciação do real. Esperamos que essa dinâmica continue nos próximos trimestres, com a tendência de um dólar global mais fraco.

Esse fluxo externo tem sido direcionado para a Bolsa e para a renda fixa. O Ibovespa vinha de uma precificação muito baixa, ou seja, a Bolsa estava barata, e os estrangeiros notaram e vieram comprar. Independentemente do ruído, eles viram sinais.

A busca por ativos líquidos gerou algumas distorções, com ações das maiores empresas subindo mais do que as small caps, empresas com menor volume negociado. A diferença entre o Ibovespa e o índice de small caps está no maior patamar dos últimos 15 anos. Ou seja, se você acha que a Bolsa subiu muito, saiba que há oportunidades baratas de que os estrangeiros gostam, mas que não podem comprar, por restrições de liquidez.

Finalmente, nossa carteira de dividendos vem performando acima do benchmark, e a possibilidade de receber um fluxo de rendimentos enquanto se expõe à Bolsa brasileira pode ser uma opção adicional de alocação estratégica.

E os sinais permanecem atrativos, como as taxas de juros reais, soberanas e corporativas, que não têm comparação internacional. Se o estrangeiro gosta da renda fixa local, e está comprando, o que você está fazendo?

O movimento recente de abertura dos spreads de títulos privados trouxe novamente atratividade para a categoria. Mesmo que os fundos de crédito tenham sofrido, acreditamos que o pior momento ficou para trás. Talvez o ideal não seja aplicar agora, mas é um setor a ficar atento, pois pode trazer novas oportunidades nos próximos meses.

Além disso, continuamos recomendando os títulos IPCA+, aqueles que rendem acima da inflação. Há oportunidades tanto nos títulos privados quanto nos soberanos. Nas NTN-Bs, gostamos dos vencimentos de 2030 a 2035, em que nossa equipe de análise de renda fixa observa maiores oportunidades de ganhos.

Mas e como a Guerra afeta o Brasil? Nesse sentido, o país tem dois diferenciais importantes em relação aos outros emergentes:

  1. Como exportadores de petróleo, nossos termos de troca, a relação entre os preços de vendas das nossas exportações com o preço das importações tem melhorado, ajudando a balança comercial. Isso sem considerar aumentos de volumes de petróleo e combustíveis.
  2. Os juros reais continuam altos no Brasil, oferecendo uma oportunidade de “carry over” positiva para os estrangeiros. Ou seja, em termos relativos, o Brasil irá se beneficiar da crise no Oriente Médio.

Finalmente, as eleições. As incertezas sobre o resultado da disputa sempre trazem apreensão sobre movimentos de mercado. A visão de que há um cenário binário à frente, em que a economia brasileira irá explodir ou melhorar dramaticamente, não corresponde à realidade.

Há possibilidades de pioras e melhoras, sem dúvida. As propostas dos candidatos parecem diferentes em diversos pontos. Mas imaginar que os efeitos serão dramáticos em ambas as direções traz mais ruído do que sinal sobre as perspectivas de mercado.

Na visão dos estrangeiros, a eleição é neutra, com a opção de um resultado positivo. Nesse sentido, não deverá haver uma saída abrupta dos fluxos estrangeiros por causa do pleito. E como foram esses investidores que fizeram a Bolsa subir nos últimos meses, a assimetria parece mais positiva do que negativa.

Em resumo, procurei reforçar que, nos momentos de maior turbulência ou incerteza, as carteiras mais equilibradas são as melhores opções. Como o mundo continuará incerto, com alta volatilidade, é cada vez mais importante entender os sinais e não se deixar levar pelos ruídos. Vale rever as alocações, reforçar as defesas e buscar oportunidades.

No dia 13 de maio farei uma Live sobre esse tema, debatendo alguns pontos mais a fundo e contarei com a presença do analista Nícolas Merola, da EQI Research, para apresentarmos opções de investimentos neste momento. Você é meu convidado!