O setor de serviços do Brasil quase parou de crescer em maio. O PMI de Serviços, da S&P Global, recuou de 52,3 em abril para 50,4, perto da marca de 50 pontos que separa expansão de retração. O número, divulgado nesta quarta-feira (3), sinalizou uma taxa apenas marginal de avanço na atividade.
A desaceleração foi motivada pela estagnação dos novos pedidos, em um ambiente de demanda enfraquecido pelo repasse de custos aos preços de venda. As empresas reagiram limitando contratações e cortando as expectativas de crescimento para os próximos meses.

Novos pedidos travam e demanda perde força
Os novos negócios fechados pelas prestadoras de serviços ficaram praticamente estáveis na metade do segundo trimestre, com o índice sazonalmente ajustado um pouco abaixo de 50 pontos. Empresas que registraram aumento de atividade citaram a conquista de novos clientes, enquanto outras relataram queda diante de pressões competitivas, dificuldades financeiras e demanda mais fraca.
O segmento de transportes, informação e comunicação foi o único a ampliar a atividade no mês e também liderou em vendas, ainda que o crescimento tenha desacelerado ao menor patamar em cinco meses.
Guerra no Oriente Médio pressiona custos
A quase estagnação das vendas veio acompanhada de forte alta nos preços cobrados pelos serviços. Mesmo com recuo ante abril, o ritmo de inflação foi o segundo maior em 15 meses, puxado pelo repasse de custos. Os preços dos insumos subiram na maior proporção desde fevereiro de 2025.
As empresas apontaram que a guerra no Oriente Médio encareceu combustíveis e materiais. Os reajustes atingiram itens como materiais de construção, produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais e embalagens. As pressões de custo foram mais intensas nos serviços ao consumidor, enquanto o avanço mais acentuado dos preços de venda apareceu em finanças e seguros.
“Estão surgindo sinais de fragilidade na economia de serviços do Brasil, à medida que empresas e consumidores lutam contra a inflação”, afirmou Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.
Segundo ela, os orçamentos apertados levaram os consumidores a cortar gastos não essenciais, atingindo entretenimento, hotelaria e lazer, enquanto prestadores essenciais como TI, logística e transporte mantiveram o crescimento.
Contratações perdem ritmo e confiança recua
A combinação de despesas operacionais em alta e demanda frágil prejudicou as contratações. O emprego no setor ainda cresceu, mas no ritmo mais lento dos últimos quatro meses de geração de vagas.
A confiança das empresas foi abalada pela concorrência acirrada e pelas condições operacionais adversas, e o otimismo para o próximo ano caiu ante abril, ficando bem abaixo da média histórica. As companhias de finanças e seguros foram as mais confiantes, e as de transportes, informação e comunicação, as menos otimistas.
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PMI Consolidado volta ao campo da contração
O indicador que reúne serviços e indústria voltou a apontar contração. O PMI Consolidado caiu de 52,4 em abril para 49,5 em maio, abaixo dos 50 pontos, pressionado pela queda acentuada da produção industrial, que contrastou com a desaceleração mais branda dos serviços.
As pressões de custo no setor privado ficaram entre as mais altas em quatro anos, e a inflação de preços atingiu o segundo maior nível desde julho de 2022. A distância entre os dois índices de preços foi a maior em quatro anos e meio, com pressões bem mais fortes na indústria do que nos serviços.
“Os dados do PMI de maio são alarmantes, pois o papel do setor de serviços como amortecedor da fragilidade do setor industrial parece estar diminuindo”, disse Pollyanna.
A economista observou que muitos esperam uma recuperação já no próximo mês, capaz de sustentar o segundo trimestre, mas ponderou que as pressões inflacionárias contínuas, agravadas por choques externos, sinalizam mais vulnerabilidades adiante.
FAQs PMI de serviços do Brasil
O índice caiu de 52,3 em abril para 50,4, perto da estagnação.
Cresceu, porém de forma marginal, próximo da marca de 50 pontos.
A guerra no Oriente Médio encareceu combustíveis e materiais, com a maior alta de insumos desde fevereiro de 2025.
Caiu de 52,4 para 49,5, indicando contração da atividade do setor privado.






