O Itaú BBA revisou sua projeção de Selic terminal para 14% ao ano — ante 13,75% anteriormente —, com um último corte previsto para a reunião de agosto do Copom em um relatório com o título “Na encruzilhada” divulgado nesta sexta-feira (26).
A mudança reflete a postura mais cautelosa sinalizada pelo Banco Central diante da piora do cenário base e da assimetria altista no balanço de riscos inflacionários.
“A comunicação recente aponta para uma postura mais cautelosa da política monetária diante da piora do cenário base e da avaliação do Copom de que o balanço de riscos em torno desse cenário seria assimétrico para cima”, avaliou o economista-chefe Mário Mesquita.
Contudo, o banco ressalta que a comunicação das autoridades não fecha totalmente a porta para novos cortes além de agosto.
Câmbio mais fraco e dólar forte no radar
O Itaú BBA também revisou suas projeções para o câmbio, elevando a estimativa para R$ 5,30 por dólar em 2026 — ante R$ 5,15 anteriormente — e para R$ 5,50 em 2027, contra R$ 5,35 projetados antes.
“Revisamos nossa projeção de taxa de câmbio, refletindo sobretudo um cenário externo mais adverso para a moeda, com expectativa de juros mais elevados nos EUA e de fortalecimento do dólar à frente”, explicou Mesquita.
As projeções de crescimento do PIB foram mantidas em 2,1% para 2026, impulsionadas por estímulos fiscais e parafiscais que devem seguir sustentando a demanda agregada e contrabalançando os efeitos da política monetária contracionista.
Para 2027, a projeção de PIB permanece em 1,7%, em linha com a desaceleração do impulso fiscal esperada para o período.
Inflação e fiscal seguem preocupantes
As projeções de IPCA foram mantidas em 5,4% para 2026 e 4,5% para 2027.
“Para 2026, deixamos de incorporar altas adicionais de gasolina na refinaria diante do recuo recente do petróleo, com o balanço de riscos passando de altista para ligeiramente baixista”, detalhou Mesquita.
Para 2027, o balanço segue assimétrico para cima, com incerteza sobre o efeito do El Niño na oferta de grãos.
No campo fiscal, o banco manteve as projeções de resultado primário em -0,5% do PIB em 2026 e -0,6% em 2027.
“Com a queda do preço do petróleo, o risco é que o ganho de receita não seja mais suficiente para compensar os aumentos recentes de despesas. A ampliação de políticas executadas fora das regras fiscais reforça a necessidade de um ajuste fiscal relevante à frente”, concluiu o economista-chefe Mário Mesquita, reforçando a visão de que o cenário macroeconômico brasileiro segue desafiador para os próximos dois anos.






