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Rating do Brasil é reafirmado pela S&P, que mantém perspectiva estável

Rating do Brasil é reafirmado pela S&P, que mantém perspectiva estável

A decisão reflete o equilíbrio entre a fragilidade das contas públicas e os sólidos fundamentos externos da economia

A S&P Global Ratings reafirmou o rating do Brasil em “BB/B” para os créditos soberanos de longo e curto prazo em moeda local e estrangeira, mantendo também a perspectiva estável para o país. A decisão reflete o equilíbrio entre a fragilidade das contas públicas e os sólidos fundamentos externos da economia brasileira.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (25), a agência de classificação de risco afirmou que espera que os déficits do governo geral permaneçam próximos de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, diante da ausência de medidas mais contundentes para flexibilizar o orçamento e ampliar os superávits primários.

Apesar desse cenário, a S&P avalia que o Brasil continua contando com importantes fatores de sustentação.

“A sólida posição externa do Brasil continuará mitigando sua fragilidade fiscal em meio a elevados déficits, dívida e carga de juros do governo geral”, destacou a agência.

Segundo a S&P, o país segue beneficiado pelo desempenho das exportações de commodities agrícolas e energéticas, pelo regime de câmbio flutuante, pelas elevadas reservas internacionais e pelo aprofundamento do mercado financeiro doméstico, fatores que facilitam o financiamento tanto do setor público quanto do privado.

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Fragilidade fiscal segue no radar

A agência ressalta que a principal vulnerabilidade da economia brasileira continua sendo a situação fiscal.

Na avaliação da S&P, a elevada dívida pública, os déficits persistentes e a rigidez orçamentária dificultam uma melhora mais consistente da trajetória das contas públicas. O relatório também aponta que a falta de reformas coordenadas antes — e, provavelmente, após as eleições nacionais deste ano — limita avanços na consolidação fiscal.

“Acreditamos que enfrentar as arraigadas rigidezes orçamentárias fixadas na Constituição brasileira será fundamental para colocar a trajetória fiscal em bases mais sólidas”, afirma o documento.

A agência observa ainda que a fragilidade fiscal tem contribuído para a manutenção de juros reais elevados por parte do Banco Central, estratégia considerada necessária para conter a inflação, mas que acaba limitando o ritmo de crescimento da economia.

O que pode mudar o rating do Brasil

A S&P também detalhou os fatores que poderão levar a uma alteração da nota soberana nos próximos dois anos.

Um eventual rebaixamento poderá ocorrer caso decisões de política econômica ampliem os déficits fiscais ou prejudiquem as condições de financiamento do governo. A agência também alerta que uma deterioração na condução da política econômica poderia reduzir o fluxo de investimentos estrangeiros diretos, enfraquecendo a posição externa do país.

Por outro lado, uma elevação do rating dependeria da adoção de medidas capazes de fortalecer o crescimento econômico e melhorar de forma consistente os resultados fiscais.

Segundo a S&P, políticas voltadas para ampliar os superávits primários e tornar a estrutura orçamentária mais flexível ajudariam a estabilizar a trajetória da dívida pública e fortaleceriam a qualidade de crédito do Brasil.

Apesar dos desafios fiscais, a agência destaca que a independência operacional do Banco Central, o regime de metas para a inflação e a capacidade do governo de se financiar predominantemente em moeda local continuam sendo pilares importantes que sustentam o atual rating do Brasil.

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