Os mercados financeiros globais parecem estar precificando um cenário otimista demais para o conflito no Irã. Essa é a avaliação do economista global do Bank of America, Antonio Gabriel, e do analista sênior da ClearBridge, Adam Meyers, que alertam para riscos de crescimento global ainda não adequadamente refletidos nos preços dos ativos.
O quadro atual parece de relativa tranquilidade. O S&P 500 opera apenas 4% abaixo do pico histórico, o dólar americano se fortaleceu e os mercados de juros precificaram a retirada de cerca de 35 pontos-base em cortes do Federal Reserve até o fim do ano – reflexo de preocupações inflacionárias, não de temores com crescimento. Entretanto, para o BofA, essa leitura é incompleta.
Mercados estão se concentrando mais nos efeitos inflacionários do choque do petróleo do que nos riscos para o crescimento global

Crescimento global subprecificado
“Os mercados parecem estar precificando um choque amplamente transitório. Em nossa visão, os cenários mais disruptivos para o crescimento global estão subprecificados”, afirma Gabriel. O banco vê a extensão do conflito até o segundo trimestre como um desfecho igualmente provável ao de uma resolução rápida – e uma guerra mais prolongada não pode ser descartada.
Contudo, a narrativa dominante segue focada na inflação. O choque do petróleo certamente pressiona os índices de preços ao consumidor, no entanto o impacto sobre a demanda global e a atividade econômica pode ser ainda mais severo caso o conflito se prolongue além do esperado.
Capacidade ociosa e disciplina de capital
Adam Meyers acrescenta uma dimensão estrutural ao debate.
“A capacidade ociosa é finita, e a disciplina de capital das empresas de exploração e produção nos EUA permanece intacta. Os produtores não estão sinalizando crescimento agressivo de volume em resposta aos preços mais altos, como fizeram em ciclos anteriores“, observa o analista da ClearBridge.
Essa contenção, no entanto, amplifica a sensibilidade macroeconômica a choques de oferta.
“Qualquer disrupção tem maior probabilidade de se traduzir em estoques mais apertados do que em uma resposta rápida de oferta”, alerta Meyers.
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