O mercado do minério de ferro e demais metais está sendo frontalmente atingido pela guerra no Irã. Segundo relatório da consultoria Wood Mackenzie, o conflito acarretaria implicações mais substanciais para o minério de ferro e o aço. Uma companhia que pode ser diretamente afetada por essas questões é a Vale (VALE3).
De acordo com o estudo, o Irã desempenha um papel central nesse ecossistema. Em 2025, era o sexto maior produtor mundial de minério de ferro e um fornecedor importante de concentrado e pelotas de alta qualidade, principalmente para a China – um dos principais destinos das exportações de minério de ferro.
“Embora as principais minas estejam localizadas em regiões remotas do interior, tornando um ataque físico direto menos provável, a infraestrutura que as suporta – redes elétricas, capacidade de transmissão e corredores logísticos – ficará sobrecarregada pelos recentes ataques”, diz trecho do relatório.
Com isso, os prêmios de risco de guerra, a indisponibilidade de embarcações e o redirecionamento de rotas ao redor do Mar Arábico elevarão ainda mais os preços de entrega, conforme prevê o relatório da consultoria.
No caso da Vale, a interrupção de rotas estratégicas pode elevar as tarifas de frete em cerca de 20% a 30%. Para a mineradora brasileira, que depende fortemente do transporte marítimo para enviar minério ao principal cliente, que é a China, isso pode levar a problemas como:
– Redução das margens;
– Aumento dos custos logísticos; ou
– Atrasos ou congestionamento nas rotas globais.
Por outro lado, a companhia brasileira pode ter como pontos positivos uma possível alta no preço do minério de ferro; menor concorrência de alguns produtores; e maior valorização do minério de alta qualidade.
Aço
Sobre o aço, especificamente, o conflito regional está se transformando em um risco real para os preços globais de tarugos, placas e vergalhões de aço. Para a Wood Mackenzie, é improvável que o mercado espere que a escassez física se manifeste; além disso, o risco será precificado rapidamente, impulsionando ainda mais um mercado siderúrgico que vem crescendo desde o início do ano.
“O Oriente Médio em geral também está vulnerável. Qualquer interrupção significativa no Estreito de Ormuz pode atrasar a entrada de sucata, semiacabados e aços, além de bloquear simultaneamente os embarques de vergalhões. A situação da China também pode ser afetada, já que o Oriente Médio responde por cerca de 13% de suas exportações de aço”, diz o documento.






