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Recuperações judiciais disparam e expõem crise nas empresas brasileiras

Recuperações judiciais disparam e expõem crise nas empresas brasileiras

Alta dos juros e decisões de gestão colocam empresas brasileiras sob pressão recorde

O aumento das recuperações judiciais de empresas no Brasil reflete o impacto direto dos juros elevados, da alta da Selic e de falhas de gestão. Em análise recente, Juliano Custódio afirma que o cenário atual combina pressão econômica e decisões equivocadas dentro das companhias.

“As empresas brasileiras não estão conseguindo mais pagar as suas dívidas e isso é muito sério”, diz Custódio. Segundo ele, o problema não pode ser atribuído a um único fator, mas sim à combinação entre custo do dinheiro e gestão ineficiente.

Somente em 2025, o país registrou quase 6 mil recuperações judiciais, número significativamente superior ao do ano anterior. Para o especialista, isso evidencia que o problema já atingiu empresas de diferentes portes e setores.

O peso dos juros no custo de capital

A alta da taxa Selic é apontada como um dos principais gatilhos da crise. Custódio explica que o custo do capital no Brasil se tornou um dos maiores desafios para empresários.

De forma direta, ele resume: “A Selic é a coisa mais importante da economia, porque define o custo do dinheiro”. Com a taxa próxima de 15% ao ano, empresas que dependem de financiamento enfrentam custos que podem ultrapassar 20% ou até 30% ao ano.

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Custódio destaca que poucos negócios conseguem gerar retorno suficiente para sustentar esse nível de juros, o que torna muitos projetos inviáveis. Ele reforça que o problema não está apenas no valor alto, mas também na velocidade com que os juros subiram nos últimos anos.

Raízen e o efeito do ciclo econômico

O caso da Raízen é citado como exemplo emblemático: a empresa acumulou uma dívida bilionária após um período de forte expansão durante a fase de juros baixos.

Custódio explica que decisões tomadas em um cenário de crédito barato podem se tornar um problema quando o ciclo muda. Segundo ele, projetos que antes se pagavam com juros baixos passam a exigir retornos muito maiores.

“O custo de capital multiplicou várias vezes e a empresa ficou inviável”, afirma. Na leitura indireta, ele aponta que esse erro foi comum entre empresas que aproveitaram o momento de crédito fácil sem considerar mudanças futuras na economia.

Erros de gestão agravam a crise

Além do cenário macroeconômico, Custódio também critica a postura de gestores. Ele afirma que muitas empresas continuaram tomando crédito mesmo com o aumento dos juros.

Segundo ele, houve excesso de otimismo e falta de adaptação. Em sua análise, empresários mantiveram estratégias agressivas de crescimento sem ajustar o risco diante do novo contexto.

“Muita gente ficou de olho grande”, diz, ao comentar o comportamento de empresas que expandiram demais durante o ciclo favorável.

A importância do caixa em tempos difíceis

Para enfrentar esse cenário, Custódio defende uma postura mais conservadora e estratégica. Ele afirma que empresas precisam preservar caixa para atravessar períodos de crise.

De forma indireta, ele explica que liquidez garante liberdade para tomar decisões sem depender de crédito caro. Além disso, permite investir justamente quando concorrentes estão retraindo.

“Quando a maré baixa, a gente vê quem está nadando pelado”, afirma, ao destacar que empresas sem caixa ficam mais vulneráveis em momentos de aperto.

“Cash is king”: a principal lição

A principal mensagem do especialista é clara: disciplina financeira é essencial. Para ele, manter caixa é a melhor forma de proteger o negócio e aproveitar oportunidades.

“O dinheiro é o rei”, resume. Segundo Custódio, empresas que mantêm liquidez conseguem atravessar ciclos negativos e até crescer em momentos de crise.

Na prática, sua recomendação é simples: evitar endividamento excessivo, entender os ciclos econômicos e agir de forma contracíclica. Em um cenário de juros altos, essa pode ser a diferença entre crescer ou entrar em recuperação judicial.

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