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Saiba como a Rumo pode aproveitar a recuperação logística do ciclo do agro

Saiba como a Rumo pode aproveitar a recuperação logística do ciclo do agro

A empresa passou por um período de ajustes relevantes após elevar significativamente os rendimentos do transporte agrícola na Operação Norte

A Rumo (RAIL3) está bem posicionada para capturar uma possível recuperação do ciclo logístico do agronegócio nos próximos anos, segundo análise do Bradesco BBI. Em relatório recente, o banco destaca que a companhia pode se beneficiar de uma combinação de ajustes estratégicos, recuperação de volumes e fatores estruturais que tendem a sustentar a alta dos fretes ferroviários até 2027.

De acordo com o BBI, a empresa passou por um período de ajustes relevantes após elevar significativamente os rendimentos do transporte agrícola na Operação Norte. Entre 2020 e 2024, os yields — indicador que mede a receita por unidade transportada — cresceram cerca de 78%. No entanto, em 2025 a companhia precisou reduzir esses rendimentos em aproximadamente 6% na comparação anual para recuperar competitividade em um ambiente de menor comercialização de grãos.

Esse movimento de reequilíbrio tarifário contribuiu para um desempenho mais fraco das ações RAIL3, que acumularam queda de cerca de 24% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Na avaliação do banco, parte dessa desvalorização refletiu dúvidas do mercado sobre o poder de precificação da companhia em um cenário de menor demanda logística.

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Fase de ajustes já superada

Apesar disso, os analistas afirmam que a fase de ajustes já foi superada e que a empresa passa a operar em uma posição competitiva mais sólida. Entre os sinais dessa melhora estão a retomada gradual dos volumes transportados, a antecipação no fechamento de contratos logísticos e um ambiente mais favorável para renegociações de fretes.

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O relatório aponta quatro fatores principais que podem impulsionar os preços do transporte ferroviário nos próximos dois anos. O primeiro é a possibilidade de aumento de tarifas no contrato otimizado da BR-163, que conecta regiões produtoras do Mato Grosso aos portos do Norte. O segundo fator é o início da cobrança de pedágio na BR-364, em Rondônia, o que pode elevar o custo do transporte rodoviário.

Além disso, uma eventual alta no preço do diesel tende a aumentar a competitividade do modal ferroviário frente às rodovias. Por fim, o banco destaca a expectativa de um mix de cargas mais favorável em 2026 e 2027, com maior participação de grãos e origens logísticas mais competitivas.

Na visão do Bradesco BBI, a Rumo apresenta atualmente uma assimetria positiva, combinando preços mais competitivos após os ajustes recentes com perspectivas de volumes sólidos. O banco estima que a empresa negocia com uma taxa interna de retorno real próxima de 12%, um prêmio relevante em relação aos títulos públicos indexados à inflação, reforçando o potencial de valorização das ações no médio prazo.